O cheiro de Amendoeira molhada pela chuva me lembra Laranjeiras às cinco da tarde.
Eu saindo da escola, com mochila presa num carrinho, no início dos anos 90.
O cheiro do plástico novo me lembra bonecas novas saindo da caixa. Com cabelos de nylon novinhos, prontos para serem estragados por meu complexo de cabeleireira.
O cheiro de Vick Vaporub me lembra as noites na casa da minha avó, viciada no frescor do remédio misturado à ardência de pastilhas Valda – elas ainda vinham na latinha.
O cheiro de Sundown me lembra a praia de Ipanema.
O de Halls, adolescentes no cinema.
O de Nescau, madrugadas em Saquarema.
O cheiro de creme de cabelo sem enxágüe me lembra minha mãe indo para o trabalho. E eu examinando-a, decorando cada detalhe, para imitar depois.
O cheiro de asfalto quente me lembra um play sem muitos brinquedos: alguns balanços, um trepa-trepa e uma casinha de madeira.
O cheiro de maionese me lembra Natais lotados de embrulhos e laços. Num apartamento grande na Barra e uma família se empanturrando com a ceia.
O cheiro de Naftalina me lembra as coisas antigas.
O de tangerina, lanche coletivo com amigas.
E o de Novalgina, eu e minha irmã, no fim das nossas brigas.
Um comentário:
Que lindo poema, Bruna!
Recordar é viver!! Acho q o olfato tem esse poder de nos trazer lembranças de uma forma tão vivaz!!
Bjss
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