quarta-feira, 28 de maio de 2008

INVERNO

O calendário de papel em cima da minha mesa de trabalho anuncia que o ano está passando rápido demais. Lembra também que o próximo feriado só vai acontecer em Novembro, que a próxima sexta-feira é dia 30 e que a Videolar tem cinema em dose tripla – seja lá o que isso queira dizer.

Todas essas informações impressas em vermelho num papel duro que se apóia em forma de cilindro na minha mesa, dando um colorido a mais no cinza do computador e das baias que me envolvem.

Cada número, um dia. Um longo e intenso dia. Mais um ou menos um, não vou cair no mérito dessas questões metafísicas agora. Ando sem saco para isso.

O calendário também anuncia que o inverno está a caminho. Um demorado inverno de três meses, que vai desbotar a cidade e fazer despencar os termômetros. Comprei-me um cachecol listrado e umas calças de flanela. Meia dúzia de meias brancas e um par de botas pretas. Sempre na esperança de fugir do frio que se aproxima. – como se isso fosse possível.

De qualquer forma, espero que não chova muito. A umidade só vai piorar as madrugadas geladas que meu calendário já prevê. Espero também que passe rápido. Mas a penca de dias que está impressa no cilindro de papel, sugere uma certa demora ligeiramente desconfortável, que me faz esquecer de que o ano está passando rápido.
Os ventos, o frio e os dias escuros, curiosamente já se antecipam, invadindo o meu fim de Maio, e enquanto isso, vou riscando psiquicamente cada numerozinho; 29, 30, 31, para tentar ver o tempo passar.

Um xis em cada um, até Setembro, quando o inverno se for e, com ele, for também o cinza que já vem por aí.

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