sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As minhas

Minhas palavras são como as lágrimas que saem dos olhos e aliviam o que tem dentro. A diferença é que elas saem dos punhos. E, ao invés de úmidas, vêm disfarçadas em Português. Algumas vezes, cansadas da mesma gramática, aparecem em Inglês. Outras vezes, mais raras, tornam-se ousadas e tentam o Francês.
Minhas palavras aliviam o lado de dentro, mas perturbam as mentes de quem calhar de lê-las – tão pesadas podem ser. Mas por vezes, aliviam o lado de fora também. Como cobertores, preenchem o corpo dele a partir da minha boca, que solta palavra por palavra, quase que apagadas por conta da minha voz meio rouca.
E eu bordo letra por letra, que andam de mãos dadas e, como cortinas, cobrem as janelas que estampam o frio lado real que tem lá fora.
As minhas palavras nascem, morrem, renascem. Ora são rimadas, ora erradas, desencontradas, sem sentido, pra que sentido?, é só sentir. E cobrem paredes, papéis, peles, pés. Como meias, engolem seu corpo gelado que, então, se aquece em um minuto, quando pelos seus ouvidos, entram elas... as minhas palavras.
E são azul BIC em cartas, ou Arial-doze em blogs, vão sussurradas junto de uma cama que estala, ou gritadas, acompanhando o rock and roll de palavras de outras pessoas, que eu finjo que são minhas só por um momento, sozinha no meu quarto.
E se vão em memórias, voltam e trazem alguns cheiros, levam medos, lavam a alma.
São cuspidas, choradas, faladas, repetidas, compridas, com rimas, são minhas, só minhas, borradas, caladas, coladas, sozinhas, sofridas, e frias, e sujas, imundas, ou mudas, são suas.
Faço suas, as minhas palavras.

Nenhum comentário: