Tem uma poesia dentro de mim que não quer se formar
Começo a escrever e logo aperto o frustrante botão de apagar
– Não, não gostei!
Já fiz isso mais de uma vez
Faltam-me palavras, talvez.
Deve ser aquele papo de ‘só escreve quem é triste’
E no meu momento, tristeza não existe
Mas volta e meia, alguns versos me vem à mente
E quando me proponho a escrevê-los, eles se vão de repente
Faltam-me palavras, simplesmente.
Porque essa poesia não rima em papel.
Não tem tercetos, nem estrofes
Nem construções fora de ordem
E nem é cordel.
Não tem nada de complicado, nessa poesia que tenho em mim
É bem diferente de frases geladas que já escrevi
É como um poema...
Que rima em um simples cinema
São métricas de dentro dos braços dele
Com versos escritos sobre mim e nele.
Essa poesia fala daquela saudade boa, estreita
Que vai se acabar na quarta-feira
Ou em beijos surpresas
Que recebo por celular
E soltos no ar.
Um eu lírico que se arruma para ele,
Mesmo quando não vou encontrar.
Poesia bucólica, simbólica, sólida.
Meio parnasiana, romântica ainda
Quando ele diz que eu sou linda.
É poesia que vem acontecendo e que eu já sei de cor
Nos reflexos do espelho, onde dois corpos viram um só.
São versos das mãos dele e dos pelos
Que bagunçam a gramática, as sintaxes e os meus cabelos
São dedos com toques e retoques e estrofes
Em rimas tão raras, tão fortes e disformes
E há palavras nos meus lábios, pescoço e costas
Palavras intensas de tesão e de apostas
Que a gente faz sem sequer saber
Que a gente sabe sem sequer fazer
Enfim, é uma inspiração muito minha
Que está em coincidências decassílabas.
E em abraços e sintonias
Com vontade de escrever muitas outras linhas
Descobrindo bem mais rimas.
Para depois recitá-las bem alto
Do meu jeito, no meu erro, meu tato
Só pedindo mil desculpas à norma culta,
E também, licença à literatura
Porque isso sim é poesia pura.
2 comentários:
Que lindo!
Que fase!
Que felicidade!
Conjunta: Sua. Minha. Dele. Deles.
Nossas.
Que lindo!
Que fase!
Que felicidade!
Conjunta: Sua. Minha. Dele. Deles.
Nossas.
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