É branca. Branca como leite, a pele dela. Tão branca que irrita.
Perfeitos são os contornos, que desenham um rosto, um nariz fino, uma cintura rígida e pernas longas. Tudo tão límpido, que o corpo parece vestido de leite. Um creme de leite.
Ela fala baixo. Ri baixo, olha baixo, mas ela é alta.
E tem cabelos tão escorridos quanto sua pele de leite. Em uma lisura densa, os fios vão até o ombro, em tom dourado meio cinza. Ela é linda.
Ela come pouco. Bebe pouco, mexe pouco.
Um olhar lânguido complementa a mesmice do resto.
Suas cores apenas se distinguem em bochechas, lábios e unhas artificialmente rosados.
Por onde passa, não há, na cidade, quem não olhe.
Provoca as mais variadas sensações; desejo, inveja, receio. Porque ela é perfeita.
É linda, é lisa. As únicas texturas aparentes estão nas vestimentas de inverno. Um tailleur cor de púrpura com saia xadrez.
Ela se veste muito bem. Fala bem, anda bem.
A brisa da estação resseca sua boca que, entreaberta, respira quase que imperceptivelmente. Tão imperceptível, que talvez nem respire. Quão perfeita.
Nos pés, o scarpin alto finaliza o restante do corpo tão fino.
Nas mãos, uma bolsa pequena, charmosa, com o básico: cartão, celular, batom.
Nos cabelos, nada além dos fios. Rigorosamente arrumados, não se despenteiam nem com o passar do tempo.
E em cima, lá no topo, estampa-se em vermelho, em letras garrafais, o gritante título: Marie Clair.
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