Ela estala os dedos, ele vem.
Vem dançando, abraça seus ombros e ela desce.
Desce rebolando, até encostar com as mãos os tornozelos dele, que tremem.
Tremem e fazem passos modernos, ao som daquela batida.
Ao tom daquele escuro.
No bom daquela pista, ninguém dá pistas se gosta, se não.
Uma caipirinha. E outra, e outra, não mais do que quatro.
Mas na sétima, percebem o estrago.
Os movimentos não serão lembrados no dia seguinte, já era.
Ela pula, ele a segura.
Ele a segura e a cura de qualquer mal estar.
Bom estar aqui. Com você, finge que ninguém nos vê.
Ninguém os vê, eles estão em um canto, num encanto.
Num encanto e num amasso. A perna dela, suspensa por seu braço.
Seu braço na sua nuca. Nunca mais quero parar.
Uma da manhã, duas, três, às quatro vou embora.
Mas às sete, percebem a demora.
Os momentos serão levados ao dia seguinte? Quem dera.
Ele paga a conta, ela espera.
Ela espera chamar seu nome e o telefone.
E o telefone é anotado. O rosto beijado.
Beijado o outro lado, a boca, o umbigo, vem comigo?
Comigo, eu dirijo, num Gol 1000.
Um Gol 1000, a mil por hora, com o álcool já indo embora.
Ficaram mais vezes, a terceira e a quarta na sexta-feira.
Na sexta vez, perguntam se haverá décima primeira.
Houve.
E os tormentos não mais tiveram lugar nos dias seguintes, pudera.
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