Às vezes, quando saio do trabalho, pego o ônibus para ir para casa e nele, entram meninas muito arrumadinhas.
Com roupas engomadas, com unhas feitas e limpas, brinquinhos douradinhos pequenininhos, magras, cabelos castanhos, pele branquinha, batom rosa-claro.
Elas entram e sentam-se com posturas muito eretas e mãos sobre o colo. Aí, do outro lado do ônibus, eu amarrotada, com os joelhos para frente e cabeça recostada, olho esse tipo de menina de cima a baixo e penso comigo mesma:
- Aposto que tem uma aliança no dedo dela.
E é impressionante, porque sempre tem! – uma dourada, combinando com outros anéis, provavelmente dados em outras ocasiões especiais. Noivado, aniversário, o caralhaquatro.
Fico olhando todos os detalhes, sempre iguais em todas elas, e me pergunto se vou precisar ser assim para ter uma aliança no meu dedo.
Logo no meu dedo que carrega unhas quebradas, da noite de ontem. Uma aliança para combinar com as argolas enormes da minha orelha, com meu cabelo bagunçado e cheio – porque, sim!, essa é a minha nova onda agora - com minhas roupas moderninhas, nada claras, nada clássicas.
Fico pensando no dia em que eu vou ser assim, como essas outras meninas de aliança. Para sair do trabalho, ir para a casa, encontrar meu marido de ternigravata, comer um jantarzinho encomendado do restaurante que tem ali na esquina e assistir televisão abraçado, descansando para o dia seguinte. Para novamente ir trabalhar bem disposta e toda arrumadinha de novo, deixando adivinhável a quem quiser ver a aliança no dedo.
Aí, nessa hora, eu penso que eu queria ter essa vida na mesma intensidade em que me dá uma agonia, uma claustrofobia imensa.
Porque eu não sou assim.
E eu lembro que ele me dizia:
- Você é a mulher da minha vida. Porque você é rock and roll.
É isso. Eu sou rock and roll. Essas meninas, as do ônibus, de aliança, são valsa. Eu sou guitarra, bateria, elas são passos ensaiados sempre iguais. Eu sou altos e baixos, elas são dois pra lá, dois pra cá. Eu sou escancarada, desbocada, apaixonada e elas são educadas, adestradas, amadas.
Eu sou rock and roll e ele achava que eu era a mulher da vida dele. Mas eu não fui.
Fico rock and roll sozinha, então. Invejando discretamente a tranqüilidade que deve haver na vida de todas essas outras, que são valsa.
Com roupas engomadas, com unhas feitas e limpas, brinquinhos douradinhos pequenininhos, magras, cabelos castanhos, pele branquinha, batom rosa-claro.
Elas entram e sentam-se com posturas muito eretas e mãos sobre o colo. Aí, do outro lado do ônibus, eu amarrotada, com os joelhos para frente e cabeça recostada, olho esse tipo de menina de cima a baixo e penso comigo mesma:
- Aposto que tem uma aliança no dedo dela.
E é impressionante, porque sempre tem! – uma dourada, combinando com outros anéis, provavelmente dados em outras ocasiões especiais. Noivado, aniversário, o caralhaquatro.
Fico olhando todos os detalhes, sempre iguais em todas elas, e me pergunto se vou precisar ser assim para ter uma aliança no meu dedo.
Logo no meu dedo que carrega unhas quebradas, da noite de ontem. Uma aliança para combinar com as argolas enormes da minha orelha, com meu cabelo bagunçado e cheio – porque, sim!, essa é a minha nova onda agora - com minhas roupas moderninhas, nada claras, nada clássicas.
Fico pensando no dia em que eu vou ser assim, como essas outras meninas de aliança. Para sair do trabalho, ir para a casa, encontrar meu marido de ternigravata, comer um jantarzinho encomendado do restaurante que tem ali na esquina e assistir televisão abraçado, descansando para o dia seguinte. Para novamente ir trabalhar bem disposta e toda arrumadinha de novo, deixando adivinhável a quem quiser ver a aliança no dedo.
Aí, nessa hora, eu penso que eu queria ter essa vida na mesma intensidade em que me dá uma agonia, uma claustrofobia imensa.
Porque eu não sou assim.
E eu lembro que ele me dizia:
- Você é a mulher da minha vida. Porque você é rock and roll.
É isso. Eu sou rock and roll. Essas meninas, as do ônibus, de aliança, são valsa. Eu sou guitarra, bateria, elas são passos ensaiados sempre iguais. Eu sou altos e baixos, elas são dois pra lá, dois pra cá. Eu sou escancarada, desbocada, apaixonada e elas são educadas, adestradas, amadas.
Eu sou rock and roll e ele achava que eu era a mulher da vida dele. Mas eu não fui.
Fico rock and roll sozinha, então. Invejando discretamente a tranqüilidade que deve haver na vida de todas essas outras, que são valsa.
5 comentários:
Sensacional!!! Identificacao ate o ponto da alianca no dedo, pois essa eu nao quero nao, GRACIAS!
Bjoo!!
Esta é a sensação de quem está passando pela sua situação, mas não se puna tanto assim. O seu caso não foi de idealizar demais e se decepcionar, o seu caso foi de aceitar tudo o que se aceita e tolera em nome de uma coisa maior que se chama AMOR. Infelizmente este amor tem um limite que é o do AMOR PRÓPRIO e quando o outro não respeita o AMOR PRÓPRIO, não te respeita enquanto mulher e até mesmo enquanto ser humano, e você aceita, isso se chama DOENÇA e disso, te digo de coração amiga, fuja como o diabo da cruz!!!
amorpróprioamorpróprioamorpróprio.
é isso.
thanks!
Ser rock in roll não significa não ser valsa e ser valsa não significa não ser rock in roll!
Bjs. B52
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