sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Agora

Me faz lembrar quando eu era adolescente.
E ia chorar no banheiro porque terminava um namorico.
Se ao menos soubesse que os términos seriam ainda tantos. E o choro, ainda tão pior.
Levanto o rosto das palmas da mão e encaro o espelho do banheiro feminino.
Enorme, me digere em muitos ângulos. Os olhos vermelhos estão em absolutamente todos eles.
A infinidade de pias disponíveis faz me sentir ainda mais sozinha.
Eu tenho pouco corpo para ocupar tudo aquilo.
E comigo, não tem mais ninguém.
As lágrimas secam e disfarçam-se na maquiagem recém borrada.
Tem um mundo rápido e frio lá fora;
Meu computador continua ligado, os teclados ainda fazem barulhos com digitações alheias, os telefones continuam eventualmente tocando.
O meu não. O meu não toca mais, não pulsa mais.
Passa o dia ali, ao meu lado esquerdo, inutilmente.
O tempo passa e as sombras refletidas em paredes muito cinzas denunciam a hora de ir embora.
Na hora de ir embora, não preciso mais de banheiro para disfarçar a dor.
A cidade me mastiga e me engole.
O sol me cega, a poeira levantada me distrai.
A noite me tira o apetite e a cama transforma-se na melhor saída do momento.
Bons sonhos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse texto me lembrou muitos dos meus. E isso é ótimo, porque relendo-os, temos a certeza de que tudo passa. Tudo.