A China, por trás da tela da minha TV, tem decorado minhas madrugadas.
Da minha cama viajo por aquelas cidades de nomes impronunciáveis, conheço atletas do mundo todo, vejo repórteres fazendo graça, gente competindo com raça. Vejo reportagens sobre a muralha, sobre o sistema comunista, sobre espetinho de mosca frita.
Vejo o americano irritar o resto do mundo com recordes imbatíveis. As chinesas mostrando os resultados de uma disciplina exemplar. E os brasileiros saltando, correndo, sacando, caindo, nadando, nadando, nadando e morrendo na praia.
Assisto a um mundo que se mostra unido, mas que só está ali para competir. Uma mentira que tem tantas luzes e flashes, que dá até para acreditar.
Mas no fundo, todos só querem o pódio. Que união, que nada. O mundo quer o primeiro lugar.
Da minha cama também recebo medalhas de ouro, comemoro vitórias, abraço minha equipe, vibro, falo inglês, japonês, francês.
Vejo o sol refletido nas piscinas muito azuis que estão lá do outro lado do mundo, na minha televisão. Enquanto que na minha janela, só tem breu. E esse escuro é tão profundo, que o vidro chega a refletir a imagem do meu quarto, como outra televisão, bem mais realista, bem menos agradável.
A imagem não mente. Corpo embaixo do cobertor, controle remoto na mão.
No reflexo da janela, vejo tudo o que sou.
Não muito diferente daquela outra transmissão, sou também competição, ganância, corrida, natação. Sou como eles, como nós. Brasileira. Que salta, joga, corre e nada. E morre na praia. E ganha uma medalha de bronze.
A imagem da minha janela é cruel. Eu, ali. Descabelada, sonada, embaçada.
Sem saída, volto os olhos para a outra televisão. A mais colorida, mais divertida. Com efeitos encantadores, que me tiram a coragem até para desligá-la.
Fico com ela e com todas aquelas emoções que só existem na China. Assim, vou madrugada adentro.
Até o sono bater e o timer programado da TV acabar.
Da minha cama viajo por aquelas cidades de nomes impronunciáveis, conheço atletas do mundo todo, vejo repórteres fazendo graça, gente competindo com raça. Vejo reportagens sobre a muralha, sobre o sistema comunista, sobre espetinho de mosca frita.
Vejo o americano irritar o resto do mundo com recordes imbatíveis. As chinesas mostrando os resultados de uma disciplina exemplar. E os brasileiros saltando, correndo, sacando, caindo, nadando, nadando, nadando e morrendo na praia.
Assisto a um mundo que se mostra unido, mas que só está ali para competir. Uma mentira que tem tantas luzes e flashes, que dá até para acreditar.
Mas no fundo, todos só querem o pódio. Que união, que nada. O mundo quer o primeiro lugar.
Da minha cama também recebo medalhas de ouro, comemoro vitórias, abraço minha equipe, vibro, falo inglês, japonês, francês.
Vejo o sol refletido nas piscinas muito azuis que estão lá do outro lado do mundo, na minha televisão. Enquanto que na minha janela, só tem breu. E esse escuro é tão profundo, que o vidro chega a refletir a imagem do meu quarto, como outra televisão, bem mais realista, bem menos agradável.
A imagem não mente. Corpo embaixo do cobertor, controle remoto na mão.
No reflexo da janela, vejo tudo o que sou.
Não muito diferente daquela outra transmissão, sou também competição, ganância, corrida, natação. Sou como eles, como nós. Brasileira. Que salta, joga, corre e nada. E morre na praia. E ganha uma medalha de bronze.
A imagem da minha janela é cruel. Eu, ali. Descabelada, sonada, embaçada.
Sem saída, volto os olhos para a outra televisão. A mais colorida, mais divertida. Com efeitos encantadores, que me tiram a coragem até para desligá-la.
Fico com ela e com todas aquelas emoções que só existem na China. Assim, vou madrugada adentro.
Até o sono bater e o timer programado da TV acabar.
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