Na janela ali do lado, tem um mundo que não fala inglês.
Que não tem fotos de viagens, vaidades e que não tem MP3.
Um mundo que não ouve música, que não se preocupa com o aquecimento global, que não tem máquina digital.
Ali do lado.
Gente que não sabe do colesterol bom e do ruim, não faz cruzeiro, não tem dinheiro e troca eu por mim.
Logo ali.
Gente que não estuda na PUC, que não tem Orkut, que não fez intercâmbio na Austrália, não malha, não vai no show do Empolga, nunca assistiu Almodóvar.
Sem carro totalflex, sem gilette, sem Beatles, sem mitos.
Ali.
Sem clareamento de dentes, sem presidente, sem Bossa Nova ou velha, sem regra.
Sem Inverno. Sem inferno.
Um mundo sem o Calçadão de Ipanema, sem samba, nem banda, ou Umbanda.
Sem acentos gráficos, sem problemas com o tráfico.
Na janela ali do lado. Tão lado. Tão perto.
É quase aqui.
Mas aqui não é.
Aqui é dentro. E nesse centro só há gente como eu ou você. Gente educada, o Papa, gente não covarde, a Fátima Bernardes.
Aqui só o bem. Só ONGs, monges, seres humanos, música de Los Hermanos.
Mas ali...
Não muito longe.
Logo ali. Um mundo sem mundo.
Com gente tão pouco gente.
Tão pouco tudo.
Tão tudo pouco.
2 comentários:
Bruna;
Não é qualquer um que consegue fazer tão bem esse jogo de palavras que vc sabe fazer.
Mto boa a referência com essa cortina que todos tentam esconder. Showww!!
bjss
As vzs ( ou quase sempre ) invejo o "ali".
Tenho tanto nada na minha vida - por preferência, talvez - que o tudo, pra mim é nada.
E eu adoro o nada. Que pra mim, é tudo.
Me encantando com teus textos.
Nice´s!
De resto...
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