E então era a noite do prêmio no Teatro Municipal. Ganhei o convite e fui toda prosa em direção ao centro da cidade. Engraçado como a gente gosta de ir a prêmios. Seja ele qual for, acho que gostamos do glamour e do brilho que essas noites promovem.
À entrada do teatro, mal se enxergava os portões. O convite dizia que o espetáculo começaria às 8:30. Eram 8:40 e o povo se amontoava nas escadarias frontais da cnstrução. Chovia, e então pessoas e guarda-chuvas tentavam se equilibrar entre os molhados degraus até as portas. Devidamente cerradas.
A maioria dos convidados vinha de comunidades periféricas e estava elétrica. Berravam, bebiam latinhas, retocavam a maquiagem e nem notavam o absurdo que se fazia na entrada da construção, em via do desrespeitoso atraso. Talvez, por serem mesmo os convidados, quase todos, de baixa renda (amenizemos as palavras), os sobrenomes que estavam lá, por trás daquela organização, pouco ligasse para todo o atraso ou para a chuva. Porém, fossem os sobrenomes também convidados – como aconteceria num prêmio de música internacional ou de arte contemporânea – às 8:30 (tenho certeza!) estariam todos acomodados, no interior do salão, assistindo ao início do show.
À entrada do teatro, mal se enxergava os portões. O convite dizia que o espetáculo começaria às 8:30. Eram 8:40 e o povo se amontoava nas escadarias frontais da cnstrução. Chovia, e então pessoas e guarda-chuvas tentavam se equilibrar entre os molhados degraus até as portas. Devidamente cerradas.
A maioria dos convidados vinha de comunidades periféricas e estava elétrica. Berravam, bebiam latinhas, retocavam a maquiagem e nem notavam o absurdo que se fazia na entrada da construção, em via do desrespeitoso atraso. Talvez, por serem mesmo os convidados, quase todos, de baixa renda (amenizemos as palavras), os sobrenomes que estavam lá, por trás daquela organização, pouco ligasse para todo o atraso ou para a chuva. Porém, fossem os sobrenomes também convidados – como aconteceria num prêmio de música internacional ou de arte contemporânea – às 8:30 (tenho certeza!) estariam todos acomodados, no interior do salão, assistindo ao início do show.
Mas não percamos o foco.
Voltemos ao prêmio em questão que, aliás, falava dos Direitos Humanos – ironias à parte.
Poucos minutos depois, é bem verdade, e estávamos todos acomodados. Todos os que saíram correndo pelos corredores do teatro, porque os que foram mais vagarosos, ficaram de pé a noite toda. Sorte a minha que treino na esteira da academia diariamente.
A entrega do prêmio começou. Muita música, um cenário bonito, um repertório tocante e categorias muito bem escolhidas. Melhor projeto social, melhor ação jornalística, etc. Haja miséria para tanta ação! Não fosse ela, o que seria dos flashes da imprensa, das filmagens de TV, da alegria daquelas comunidades e da minha noite de quarta-feira?
Poucos minutos depois, é bem verdade, e estávamos todos acomodados. Todos os que saíram correndo pelos corredores do teatro, porque os que foram mais vagarosos, ficaram de pé a noite toda. Sorte a minha que treino na esteira da academia diariamente.
A entrega do prêmio começou. Muita música, um cenário bonito, um repertório tocante e categorias muito bem escolhidas. Melhor projeto social, melhor ação jornalística, etc. Haja miséria para tanta ação! Não fosse ela, o que seria dos flashes da imprensa, das filmagens de TV, da alegria daquelas comunidades e da minha noite de quarta-feira?
A iniciativa, porém, foi muito boa. Partiu do Grupo Cultural AfroReggae, que incentiva e patrocina uma série de projetos sociais em comunidades pobres do Brasil todo. Fizeram o prêmio Orilaxé, em homenagem aos 15 anos da organização. Interessante. Convidaram a banda da PM para tocar a música do John Lenon junto do movimento Hare Krishna. Mostraram estatísticas mundiais chocantes, fotos impactantes e relatos surpreendentes que me provocaram uma imensa tristeza enquanto que, nas comunidades de Vigário Geral e do Complexo do Alemão, provocaram intensas gargalhadas.
Ou estas pessoas, que em tese, são as mais interessadas em tudo o que acontecia lá na frente, são tão sem acesso à cultura e à informação, que não conseguiram nem absorver o que estava sendo dito, ou já estão acostumadas a tanta miséria, a ponto de banalizá-la solenemente, ou eu perdi a piada.
Enfim, incoerências à parte, o Prêmio foi bem bonito. Gabeira entregando troféus, MV Bill recebendo, uma mistura realmente envolvente. A noite valeu à pena.
Num outro momento, de maior lucidez, pode-se talvez, até descartar toda esta crítica que acabei de escrever, ignorando palavra por palavra. De repente, é tudo uma grande besteira de um olhar puramente preconceituoso, vindo de uma garota que de nada sabe. Vai ver, todas essas linhas não passam de uma tentativa barata de eu me sentir melhor por não fazer absolutamente nada, por não ter nenhum lugar como agente social, enquanto um monte de gente por aí faz e acontece. E ainda recebe prêmios.
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