segunda-feira, 15 de outubro de 2007

R(a)lação

Se relacionar é uma arte. É um dos maiores desafios da vida, junto com o mistério do Universo, o início da humanidade e como manter os cabelos lisos sem chapinha.
Porque se Deus fez a galera toda e resolveu tacar todo mundo aqui junto, alguma coisa Ele estava querendo. E, cá para mim, acho que ele queria é ver como íamos nos virar. Todo mundo cheio de borbulhantes defeitos, vivendo a síndrome do umbigo próprio e tendo que se aturar aqui dentro do planeta.
Porque meu amigo, não tem para onde fugir.

A anti-sociabilidade é uma saída boa, até. Mas não é duradoura. Para sobreviver, em algum momento há de se sociabilizar, se relacionar. Deus pensou em tudo... Colocou portas nos prédios para termos que falar com os porteiros. Inventou a hierarquia, para aprendermos a conviver com os chefes. Estipulou relações familiares, entregando a difícil missão de conviver com uma irmã mais nova, que te bate com um elefante de bronze e ainda leva razão.
Bolou o futebol, para nada ser tão fácil e, não bastasse a relação com um namorado, ainda haver seus amigos, sua cerveja e também com o bendito esporte.
E ainda inventou a empregada doméstica – e a essa, quem sobreviver, leva definitivamente o prêmio do bom-relacionado.

O barato da coisa é que nós, pobres mortais, na tentativa de tentar ultrapassar tanto obstáculo, parecemos termos gostado da idéia. E aí, todos esses relacionamentos que Deus criou com toda sua criatividade, ficaram pouco para a gente! Nós quisemos mais! E foi então, que entraram maneiras chatas de acentuar ainda mais a arte de se relacionar e tornar tudo muito, mas muito mais complicado.
E viva o Orkut! Os scraps, os testimonials, os about me! Viva a chatice dos blogs e os textos neuróticos e psicóticos que tanto atraem gente! Viva o tédio dos fotologs e todo o narcisismo que eles podem causar! Viva a mania dos sites de namoro online, casamento online, divórcio online! Viva o vício das expressões virtuais e todo o tempero que elas dão às conversas! Viva o sexo virtual, o mundo virtual, os relacionamentos virtuais! Nós conseguimos deixar tudo muito mais chato e difícil! Uhul!

Passado o momento de euforia e voltando ao desafio de se relacionar, penso nessa digitalização e complicação de uma coisa que já era, por demais, problemática. E, humildemente, chego à minha conclusão... talvez, tenhamos inventando tanto relacionamento online, por um simples e único motivo. Lançamos nossas relações para o computador, para quando a coisa ficar complicada demais e a gente perder a paciência, ao invés de se esgoelar, chorar, se sentir impotente, doente, carente... para a gente ter a calma, serena e eficiente possibilidade de apertar o botão off.

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