Quem no mundo agüenta a infinita angústia do não-saber? O prolongado estágio de limitação da consciência. E a dura condenação de viver sob isto.
Antes não soubéssemos de nada. Mas sabemos. E sabemos insuficientemente.
Descobrimos o tortuoso e misterioso caminho que vai até o abismo. Mas de quê adianta, se não descobrimos como atravessá-lo? Sabemos que há o fim da linha, mas não sabemos o que há (se há) do outro lado.
Quem agüenta a condição de conviver com pessoas, por vezes tão queridas, em relações impotentes. Que apenas podem nos entregar única certeza: um dia, se acabarão. Boiamos então, na iminência da perda, da dor infinita e no desespero sombrio do não-saber.
O que há lá? Vermes meramente parte de uma patética cadeia alimentar, dentro de um insignificante ecossistema? Um paraíso? O inferno.
Quem consegue ignorar solene e diariamente a permanente pergunta que bate à consciência: será hoje? E não enxergar que ‘um dia a mais’ é apenas uma maneira otimista e ordinária de enganar a alma para a cruel e inevitável verdade; a do dia a menos.
Quem agüenta se segurar nas rígidas correias de aço da suposta co-realidade e não deixar que nem um polegar tateie o salivante estado de insanidade? E driblar as síndromes, as fobias e as manias, que um cérebro recalcado, dentro dessa sutil normalidade, é capaz de criar – para descansar os calos das mãos, provocados pela rígida corda bamba em que nos seguramos; a rígida corda bamba que é a vida.
Antes não soubéssemos tanto. Para não termos que conseguir conviver com a certeza de que, na verdade, de absolutamente nada sabemos.
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