Porque raramente o que acontece do lado de fora tem a velocidade do que acontece no lado de dentro. E eu consigo pensar na minha franja nova e mal-cortada, nessa minha mania chata de escrever sobre o lado de dentro e o lado de fora, quase que numa paranóia, na minha irmã aos berros ao telefone e no que vou fazer hoje à noite no tempo exato de escrever essa frase: Porque raramente o que acontece do lado de fora tem a velocidade do que acontece no lado de dentro.
Não vou achar que é só comigo, pois não vou me dar ao luxo de pensar que sou muito dinâmica, rápida e perspicaz – já me dou ao luxo de muita coisa e, além do mais, eu definitivamente não sou dinâmica, nem rápida (com boa vontade, talvez perspicaz...).
Parece acontecer com todo mundo, mesmo; a conta do telefone celular, propaganda chata na estação do rádio, praia no sábado?, pegar as fotos na revelação, acho que vou colocar aparelho nos dentes, imagina se eu fosse presidente da república, se tivesse grana ia a Marte. - Tudo em um sinal vermelho. O carro anda e você se dá conta de que raramente o que acontece do lado de fora tem a velocidade do que acontece no lado de dentro.
Fantástica capacidade do ser. Nos agarramos em trapézios alheios que flutuam pelo teto da nossa mente. De um para o outro, passeamos de pensamento em pensamento, rapidamente, num balanço quase que sincronizado. Em um malabarismo literal que nos distrai dessa lentidão toda que é o lado de fora. E a lentidão incomoda...
Um parêntese para a lentidão
[Ser lento hoje em dia é careta. Nada de uma temperatura morna, lentidão é coisa de quem não sabe viver. Então, para fugir dela, tem gente que vira quatro tequilas e dirige a cento e vinte por hora. Outros fodem com uns, depois com outros, depois com todos em plena praia de Copacabana. Outros viram gays, góticos, sórdidos. Alguns pintam os cabelos em tons vermelhos, raspam todos os pentelhos, choram e fazem pose em frente a espelhos. Sempre na vã esperança de fugir da lentidão, que parece ser o mal-do-século da vez. Mas isso fica para outro texto, deixa eu controlar a velocidade do meu pensamento e não sair mais do foco.]
Às vezes, não sei se gostaria de pensar mais devagar. E não me sentir tão angustiada quando percebesse que tudo acontece tão lentamente fora do meu eu. Outras vezes, penso querer que o mundo, então, passe mais rápido. Para acompanhar o que sinto e eu não perder uma idéia sequer. Mas isso fica fora do nosso alcance. Quem somos nós para mudar tudo isso que já está feito? Porque raramente o que acontece do lado de fora tem a velocidade do que acontece no lado de dentro e é melhor se acostumar. Se acostumar com os trapézios velozes e esvoaçantes da mente. E com o conseqüente choque que é voltar à realidade e perceber que tudo isso se resume apenas ao tempo de digitar algumas linhas no meu simples computador. E perder alguns pensamentos que se passaram como flashes e eu não tive tempo de pescá-los para colocar aqui.
Não vou achar que é só comigo, pois não vou me dar ao luxo de pensar que sou muito dinâmica, rápida e perspicaz – já me dou ao luxo de muita coisa e, além do mais, eu definitivamente não sou dinâmica, nem rápida (com boa vontade, talvez perspicaz...).
Parece acontecer com todo mundo, mesmo; a conta do telefone celular, propaganda chata na estação do rádio, praia no sábado?, pegar as fotos na revelação, acho que vou colocar aparelho nos dentes, imagina se eu fosse presidente da república, se tivesse grana ia a Marte. - Tudo em um sinal vermelho. O carro anda e você se dá conta de que raramente o que acontece do lado de fora tem a velocidade do que acontece no lado de dentro.
Fantástica capacidade do ser. Nos agarramos em trapézios alheios que flutuam pelo teto da nossa mente. De um para o outro, passeamos de pensamento em pensamento, rapidamente, num balanço quase que sincronizado. Em um malabarismo literal que nos distrai dessa lentidão toda que é o lado de fora. E a lentidão incomoda...
Um parêntese para a lentidão
[Ser lento hoje em dia é careta. Nada de uma temperatura morna, lentidão é coisa de quem não sabe viver. Então, para fugir dela, tem gente que vira quatro tequilas e dirige a cento e vinte por hora. Outros fodem com uns, depois com outros, depois com todos em plena praia de Copacabana. Outros viram gays, góticos, sórdidos. Alguns pintam os cabelos em tons vermelhos, raspam todos os pentelhos, choram e fazem pose em frente a espelhos. Sempre na vã esperança de fugir da lentidão, que parece ser o mal-do-século da vez. Mas isso fica para outro texto, deixa eu controlar a velocidade do meu pensamento e não sair mais do foco.]
Às vezes, não sei se gostaria de pensar mais devagar. E não me sentir tão angustiada quando percebesse que tudo acontece tão lentamente fora do meu eu. Outras vezes, penso querer que o mundo, então, passe mais rápido. Para acompanhar o que sinto e eu não perder uma idéia sequer. Mas isso fica fora do nosso alcance. Quem somos nós para mudar tudo isso que já está feito? Porque raramente o que acontece do lado de fora tem a velocidade do que acontece no lado de dentro e é melhor se acostumar. Se acostumar com os trapézios velozes e esvoaçantes da mente. E com o conseqüente choque que é voltar à realidade e perceber que tudo isso se resume apenas ao tempo de digitar algumas linhas no meu simples computador. E perder alguns pensamentos que se passaram como flashes e eu não tive tempo de pescá-los para colocar aqui.
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