sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Desculpa aí...

Eu acho que estou em crise. Tenho escrito, mas não tenho colocado nada aqui. Então ficam todas as letras a caneta, apodrecendo entre uma folha de papel e outra. Com idéias que têm olhos embaçados quando eu reabro o caderno e deixo a claridade entrar – tamanha é a escuridão e a solidão em que elas vivem.
Porque diferente dessas palavras que estão aqui – brilhantes, cuidadas como estrelas, expostas a quem queira ver – as palavras não-publicadas são feias. Têm a cor daquele azul-bic de escola. Vez em outra são rasuradas e, na maioria das vezes, apresentam-se de maneira ilegível.
Não tenho colocado nada aqui porque estou em crise. Eu acho.

Acontece toda vez em que me sinto fútil demais. Toda vez em que acho esse espaço daqui completamente ridículo e fora de propósito. Acontece quando não vejo utilidade em despejar ironias e pequenas crônicas sobre os meus problemas internos e minhas idéias.
Pergunto-me a quem isso pode interessar. Analiso qual é a minha real contribuição para o mundo. Começo a tentar encontrar o meu lugar nesse caos. As reflexões vão ficando cada vez mais cruéis e infinitas. Me sinto pouco. Me sinto egoísta. Fútil, mesmo. E fútil é tudo o que uma menininha de argolas nas orelhas não quer sentir.

É quando penso em efetivamente fazer alguma coisa. Mas aí paro no momento seguinte, como obediente produto do sistema – que nos deixa dormentes, incrédulos e impotentes. Somos todos inúteis e fúteis, cada um com sua quase que imperceptível variação.
Pois há os que nem pensam em se mover. Há os que são como eu: que até pensam, mas param por aí e nada fazem. E há os que pensam em algo, mas depois só pensam que fazem – pois fazem risíveis passeatas que mais parecem um desfile da moda-revolução-estudantil-2008; é meia dúzia de estudantes que sai gritando para o governo, veste roupas com as cores do país e protesta. Protesta por um longo percurso de 200 metros, o suficiente para sair da PUC e chegar ao bar da esquina. Há dez anos se jogavam no chão do shopping para chamar atenção. Hoje, esta estratégia seria descabida. Outras maneiras tiveram de ser criadas e daí, as passeatas.

Estou chata, tá vendo? Por isso não venho colocando nada aqui. Gosto de ser lida com vigor e sei que textos crisentos não provocam exatamente esse efeito. Mas dane-se. O espaço é meu mesmo...
Obrigada a quem me agüentou e chegou até essa linha.
E desculpa, da próxima vez juro que voltarei aos meus problemas-esquisofrênicos e engraçadinhos, que dão bem mais Ibope.

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