Estou frustrada. Refleti sobre isso durante a semana e estou profundamente frustrada. Como não pensei antes? Como não consegui ser um pouco mais conseqüente na hora de tomar minhas decisões? Agora já é tarde. Eu serei uma avó tatuada.
Coitados dos meus netos. Não saberão do gostinho doce de ter uma avó careta e ultrapassada. Pelo contrário, terão uma que não sabe cozinhar, não sabe tricotar e também não sabe fazer as próprias unhas, além de ser tatuada. De certo eles não serão os únicos, dado que na realidade carioca atual, a maioria de nós carrega estampas pelo corpo. Mas eu queria muito que os meus netos sentissem isso que eu sinto com as minhas avós. Queria que eles pensassem em mim com aquela doçura de neto em casa de vó no domingo. Queria ter aquele cheiro de antigo, aquela serenidade do século passado, aquele olhar pouco condizente com essa modernidade. Queria fazer meus netos acreditarem no amor eterno, como os meus avós e seus respectivos casamentos de zilhões de anos me fazem. Mas hoje em dia está tudo bagunçado.
Não preciso ir até os meus netos para perceber. Já os meus filhos sofrerão conseqüências da desordem atual; só do meu lado, terão quatro avós: vó, vô, vódrasta e vôdrasto. Não saberão o que é feijão de avó, dado que minha mãe não cozinha e é pró-comida festifudiana. Não terão também um avô rígido e sério que mastiga palito em frente à TV. Em vez disso, conhecerão um que anda de moto e bebe chope na Urca. E a tendência da qualidade de vida de neto é só piorar.
Haverá netos ainda mais infelizes. Com avós siliconadas, malhadas e com botox. Mas eu queria tanto que pelo menos os meus tivessem o romantismo que eu tenho com os meus avós. “A vovó só transou com o vovô. Ela não sabe falar Nugget. Não sabe dirigir. E é contra tatuagens”.
Desculpem-me, meus netinhos! A vovó aqui jura que não vai mais se modernizar. Vou garantir a vocês o mínimo de vóternidade. Não vou aprender a mexer em IPod. Não vou mais beber em botequins. Vou me dedicar a aprender crochê e vou tentar veementemente fazer um arroz soltinho. Assim, mesmo com as tatuagens, vocês vão poder provar dessa candura de avó. E vão me agradecer, com um sorriso sujo de bolo de chocolate, num domingo qualquer daqui uns quarenta anos.
Coitados dos meus netos. Não saberão do gostinho doce de ter uma avó careta e ultrapassada. Pelo contrário, terão uma que não sabe cozinhar, não sabe tricotar e também não sabe fazer as próprias unhas, além de ser tatuada. De certo eles não serão os únicos, dado que na realidade carioca atual, a maioria de nós carrega estampas pelo corpo. Mas eu queria muito que os meus netos sentissem isso que eu sinto com as minhas avós. Queria que eles pensassem em mim com aquela doçura de neto em casa de vó no domingo. Queria ter aquele cheiro de antigo, aquela serenidade do século passado, aquele olhar pouco condizente com essa modernidade. Queria fazer meus netos acreditarem no amor eterno, como os meus avós e seus respectivos casamentos de zilhões de anos me fazem. Mas hoje em dia está tudo bagunçado.
Não preciso ir até os meus netos para perceber. Já os meus filhos sofrerão conseqüências da desordem atual; só do meu lado, terão quatro avós: vó, vô, vódrasta e vôdrasto. Não saberão o que é feijão de avó, dado que minha mãe não cozinha e é pró-comida festifudiana. Não terão também um avô rígido e sério que mastiga palito em frente à TV. Em vez disso, conhecerão um que anda de moto e bebe chope na Urca. E a tendência da qualidade de vida de neto é só piorar.
Haverá netos ainda mais infelizes. Com avós siliconadas, malhadas e com botox. Mas eu queria tanto que pelo menos os meus tivessem o romantismo que eu tenho com os meus avós. “A vovó só transou com o vovô. Ela não sabe falar Nugget. Não sabe dirigir. E é contra tatuagens”.
Desculpem-me, meus netinhos! A vovó aqui jura que não vai mais se modernizar. Vou garantir a vocês o mínimo de vóternidade. Não vou aprender a mexer em IPod. Não vou mais beber em botequins. Vou me dedicar a aprender crochê e vou tentar veementemente fazer um arroz soltinho. Assim, mesmo com as tatuagens, vocês vão poder provar dessa candura de avó. E vão me agradecer, com um sorriso sujo de bolo de chocolate, num domingo qualquer daqui uns quarenta anos.
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