terça-feira, 10 de julho de 2007

Geração em Cima do Muro

Antigamente era mais fácil. Bem mais fácil. As mulheres eram solteiras e esperavam seus príncipes encantados chegarem. Eles, então, chegavam devidamente príncipes, porém nem tão encantados assim. Elas, por sua vez, pouco ligavam; o importante mesmo era garantir que se casassem, que engravidassem e que viveriam felizes para sempre a limpar, lavar e passar.

Depois o treco ficou mais equilibrado. As mulheres decidiram que não!, não era normal seus maridos saírem sem dar explicações e se cansaram (para minha sorte) dos trabalhos domésticos, do isolamento da sociedade, dos casamentos sem fim.
Surgem então, as separações.

Febre dos anos noventa. Moda nos calçadões de Ipanema. Ex-marido virou acessório de quase toda mulher que se considerasse moderna. Obviamente, tanto avanço só avacalhou ainda mais com as relações. O resultado? Filhos tipo quinze-em-quinze dias: um final de semana com a mãe, outro com o pai. Isso quando por sorte não cruzavam pelos caminhos trezentos e cinqüenta padrastos, madrastas e “amigos” – Oi filho, essa é uma amiga do papai.

Esses filhos cresceram e hoje, se relacionar virou quase que uma virtude. O que antes era namorar, noivar e casar, hoje se estende aos estágios de conhecer, pegar, ficar, ficar ficando, sumir, reencontrar, ficar, ficar sem ficar, ligar de madrugada, ficar ficando de novo, namorar, noivar e casar. Tudo para garantir que aquela pessoa seja de fato A Pessoa.

Nessa, alguns tabus se desmancharam. A história de que os opostos se atraem, por exemplo, agora só serve para adolescente que adora viver em crise existencial. Depois de velho, todo mundo quer mais é encontrar alguém bem parecidinho, que também goste de dormir com a televisão ligada e que seja fã do Rick & Renner.
Aquele outro papo de que o amor vence no final, também saiu totalmente de cena – coisa mais cafona! Junto com o amor tem de haver respeito, atenção, compreensão, flores no dia do aniversário, declarações exageradas e meladas e aquela paixãozinha que arde o estômago também. Caso contrário, tchau.

Os homens devem ser atenciosos, mas sem ser muito grudentos.
As mulheres, sérias e comportadas, mas não falem em casamentos.
Nos namoros não cabem traições, mas sábado à noite tem cerveja com os moleques.
Tem que existir dedicação, mas sem abrir mão das amigas piriguetes.
Não pode ser fácil nem muito difícil, senão a gente se estressa.
Relax... Daqui trinta anos aprenderemos. Afinal, tem alguém com pressa?

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