quarta-feira, 2 de maio de 2007

MIND THE GAP

Cada pessoa é um infinito individual. As milhares possibilidades que apresentam, as multiplicidades e variedades de cada uma, transformam pessoas em universo.
O carteiro dentro do ônibus é um mundo e só ele sabe o que se passa dentro do boné azul que diz “Correios” em amarelo-ovo. A senhora gorducha atrasada, enquanto caminha pesada levando suas bolsas e suas dobras, carrega também pensamentos particulares que a isolam e oferecem-na privacidade. A criança enquanto chora, olha pelos cantos dos olhos molhados, querendo observar algo que só ela sabe, só ela entende. As pessoas são como ilhas com uma mata virgem a ser desvendada em cada contato.

É um mundo habitado por outros mundos. Que despontam e apontam as mais diversas direções. Flutuam pelas ruas, preenchem apartamentos, traçam caminhos e montam destinos. Entre esses mundos particulares, há um temido e obscuro abismo, de profundidade incalculável. Quantos quilômetros existem entre uma mente e outra? Impossível saber.

Sem tais números, as pessoas tentam construir inesgotáveis pontes. Sem sequer saber o quão compridas serão ao final, constroem passarelas a fim de comunicar os infinitos individuais.
- Bom dia.
- Tudo bem?
- Por favor?
- Acabou!
- Me escuta?
- Duvido...
- Te amo.
- Você?
- Dane-se.

Eventualmente, os infinitos se unem e as pontes se tornam mais utilizadas. Decoradas com flores de palavras, são chão para idas e vindas entre uma pessoa e outra. Outras vezes, os caminhos são encurtados por razões das mais diversas. E as pontes ficam lá, construídas para ninguém, envelhecem, criam pó.
Nem por isso cessam-se as construções de novos caminhos, novas comunicações, num difícil equilíbrio entre os abismos que contornam as pessoas.
Por isso, é preciso cuidado. Atenção para cada metro construído, para cada visita a um mundo alheio. Em todos os casos, é aconselhável que se construa pontes resistentes: tanto para os trajetos a se tornarem freqüentes, para que esses caminhos não fiquem gastos depressa; como para os que vierem a ser utilizados uma só vez. Nunca se sabe! Nesta única ida, pode ser que haja a necessidade de voltar correndo ao próprio mundo e, neste caso, se a ponte quebrar, já era.

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