sexta-feira, 20 de abril de 2007

Copacabana

As ruas de Copacabana acatam pacatos, panacas, bananas, barracas.
No branco e preto das pedras portuguesas passam brancos e pretos, usam bancos, levam pesos.
Dos céus, despencam pancadas de guardas. E também as de chuvas, e então guardas-chuva colorem as calçadas; geralmente tão pobres e podres de pedras e dores.

Cá embaixo das copas de Copacabana, cavalgam cascos de sapatos apressados que mal olham para os pequenos no chão: gente tão pouco gente.
São miseráveis e faltam-lhes braços, pernas e peles tanto quanto falta um trocado.

Pequeno planeta à parte com placas e plásticas e plásticos. Atmosfera de panfletos perdidos no ar seco, levemente umedecido por gotas de ar-condicionado de andares lá do alto.
O sal do mar e das lágrimas que se acabam em Copacabana, montam cabanas que disfarçam tudo pros bacanas.
Tão perdidos nos pecados daquelas quadras que não reparam nas capas, e cabos, e Anas de Copacabana.

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