O barco está afundando, agüenta!
Segura a minha mão e fecha os olhos. Pensa na gente, pensa no barco – tanto trabalho para construir, tanto cuidado, tanta atenção! Não pensa na frustração que é o plano não ter dado certo. O barco está afundando e quanto a isso não há o que fazer.
Há outras coisas a serem feitas. Tampa o nariz e cuidado para não engolir muita água salgada. A água salgada corrói por dentro. Não deixa o frio abalar. Fecha os olhos e não solta da minha mão. Pensa na construção do barco: em Itaipava, no Leblon, num sambinha. Fica comigo e não olha para todos os que estão pulando agora.
Vamos tentar ficar calmos enquanto o resgate não vem. Talvez não caia mesmo nada do céu. Talvez tenhamos que bater os braços e pernas sozinhos, mas somos fortes! Construímos um barco imenso sozinhos, você daí, eu daqui. Vamos pensar nas alternativas. Sempre com o cuidado da água salgada. Não deixe entrar muito sal, para o açúcar não se perder!
O barco está afundando, mas nós estamos a salvo. Segura na minha mão e fecha os olhos.
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