quarta-feira, 26 de maio de 2010

E, enfim, o senso comum

Eu sou parte do senso comum agora. E aqui, no senso comum, há distração para as horas de tédio, há preocupações rasas e sem a menor importância, mas que conseguem acabar com aquela tristeza que antes você pensava que só ia embora quando entrava cerveja.
E nem tem cerveja no senso comum. Tem happy hour, drinks, sociais desinteressantes com pessoas pouco convincentes, mas cerveja não tem.
No senso comum também tem amor. Um amor mais tocável. Não sei se mais real, dado que a experiência lá, na completa falta de senso, me ensinou que amor não existe e, por mais que agora eu seja uma pessoa mais adaptada, eu ainda não acredito que ele exista mesmo.
No senso comum tem amigos de infância, tem a preocupação com o meio ambiente, com o cigarro e a cirrose. Aqui, melancolia é saudade, é fome, é sono. É qualquer coisa, mas nunca solidão, como acontece no outro lado. Não tem solidão aqui porque aqui é polvilhado de gente. Gente para todos os lados, e sorrisos, e troca de olhares. O senso comum esconde direitinho toda a imundice da gente. E aqui, olha que barato!, dá até para acreditar que a gente não tem sujeira nenhuma.
Porque no senso comum eu não vou dar para o seu amigo, você não vai foder minha prima. No senso comum seus amigos não te darão as costas, serão para sempre verdadeiros desde criancinhas. Não tem mentira, não tem absurdos e, quando tem morte, tem até uma luz branca e vida após ela.
Eu sei de tudo isso agora. Eu sei porque o senso comum me pegou e eu aceitei. Eu sou parte dele agora e consigo acordar melhor, porque eu durmo melhor. Ainda me sinto a mesma, mas sem a hipocrisia da negação a tudo, sem a vontade de endireitar todas as cagadas que existem sem fazer nada para isso.
Não existe a crítica infinita e prazerosa que, no fundo, a gente quer mais é que não se acabe para a gente sempre ter o que criticar. Não tem do que se enojar, ou sobre quem se sentir melhor porque o senso não tem profundas reflexões, aqui é raso, mas é simples.
E se antes eu não fazia nada pelo mundo, pelo menos agora, levanto todas as manhãs e faço algo por mim. Que, afinal, sou parte do mundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei muito!