terça-feira, 2 de março de 2010

Devaneios de segunda com chuva

Ninguém me atende. Talvez seja deus me dizendo que eu tenho que trabalhar e não falar no telefone. Só que eu não quero trabalhar, mas eu sei que quando deus encasqueta que você tem que fazer alguma coisa e você não faz, o castigo é grande. Então é melhor eu desistir de ligar para toda a minha lista telefônica e voltar a trabalhar. Respiro fundo, olho para a frente e abro um Word novinho em folha. A falta de vontade de trabalhar se mistura com a saliva que a tela branquinha, pronta para ser escrita, me dá e eu começo a digitar esse texto. Todo mundo ao redor acha que eu estou trabalhando. Falando de índices, mensuração de acessos online, apresentação de operações, que nada. Eu estou é escrevendo sobre a minha falta de vontade de trabalhar.

Pelo menos agora não tenho sono. Coloquei para dentro fartos goles de café com nariz fechado. Detesto café. Agora estou acordada, mas ainda não há vontade de fazer nada. Deveria haver outra bebida, como café, que tire o sono, mas dê vontade de trabalhar. Não inventaram ainda.

Liguei para minha irmã para saber das novidades. Ela não tem nenhuma. Depois liguei para uma outra amiga e ela não me atendeu. Liguei uma, duas, três vezes – todas ignoradas. Deve mesmo ser deus, porque ela sempre me atende. Aliás, adoro pessoas boas em celular. Aquelas que sempre atendem, sempre respondem, estão sempre acessíveis. Eu não sou assim, morro de pena de quem me liga. Mas é que eu acho celular um saco. Só é bom quando me atendem. E hoje ninguém me atende.

Está chovendo pacas lá fora. Eu trouxe guarda-chuva, mas resolvi fazer chapinha no cabelo. Eu sempre faço chapinha no cabelo no dia errado. Vão cair na minha cabeça aquelas gotas espremidas que não molham, mas estragam a chapinha. Chove logo hoje... logo hoje que eu devo voltar do trabalho com meu flerte. Eu sempre faço tudo errado, até sem querer.

Também não trouxe casaco. Adoro sair com o cabelo e com a roupa errada. O frio está congelando as pontas dos meus dedos e meu mau humor junto às luvas que uso para digitar no computador causam imenso estranhamento a quem senta ao meu redor. Sou estranha mesmo. Tudo fica pior quando minha cabeça cai do pescoço, completamente involuntariamente, de tanto sono. Não. Agora não cai mais. Tomei café – tinha esquecido.

Eu jurei começar a dieta hoje também. Botei para dentro um baita prato de macarrão. Eu nunca sigo minhas promessas. Vai ver por isso ele nunca respondeu meus e-mails. Ele também não segue as promessas dele. Aliás, ele nem promete. Deve ser deus implicando comigo de novo. Evidenciando toda a minha instabilidade na instabilidade dele. Mas que insuportável. Geralmente, eu sumo, eu não ligo, eu não quero, ok, deus? Mas com ele foi diferente. Foi ele quem sempre me disse que não queria e isso me mata. Eu não devia ter comido macarrão hoje.

2 comentários:

Daniel Souza disse...

enquanto isso, lá de cima. dels assiste tudo rindo, baforando, pés na cadeira, bunda no sofá, uma cuba degustada, controle remoto na mão, e brincando com são pedro todas as ameaças a ti direcionadas.

viu, quem mandou pecar na gula e se entupir de macarrão.

dá nisso.

bom "revê-la."

Não me julgue desnecessário. disse...

Moças famintas despertam interesse!!!