O calor me derrete. Minha pele se mistura aos pêlos que não foram depilados e eu viro uma só mistura. Difícil de entender onde acaba e onde termina. Uma massa densa e pesada, derretida, só esperando um par de braços para se derramar em cima.
O verão tem esse poder em mim. Eu sou derretível. E fico facilmente mole, sem forma, sem cor. Só precisando de outro alguém que me dê de volta tudo isso.
Porque eu sempre preciso me apaixonar no verão. E esquecer o frio que volta e meia bate dentro de mim - por conta de um e-mail não respondido, do carro batido, de nariz entupido. Aí vêm os 40 graus e me fazem esquecer tudo isso. E eu substituo a falta que ele faz por qualquer outro ele que tem por aí. Tem ele de todo o tipo e eu gosto de todos eles. Às vezes ao mesmo tempo, sou muito versátil. Às vezes em alternância, sou muito volúvel. Às vezes só de fingimento, sou muito vadia.
Dane-se. Eu quero é um par de braços para eu me esparramar em cima. E tirar sua vida de tão quente, de tão grande. Sufocar, deixar sem ar, mesmo.
É o verão que me deixa assim. Derretidamente apaixonada. Derretidamente envolvente, carente, quente.
Aí, quando passa a estação, eu saio-saindo, vou me esvaindo, caio por entre os dedos: anelar, polegar e dedão, até o chão.
Me ganha quem se lembrar de fechar a mão.
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