quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

While my eyes, go looking for flying saucers in the sky

Londres é aquela cidade que te mastiga e te engole com gosto. As direitas e esquerdas alucinógenas confundem o senso tão bem imposto desde sempre. O vermelho dos ônibus te coloca para cima, em segundos andares que propõem um ‘quê’ de filme de ficção científica que nunca será real. Mas é. É bem real.

Talvez ela tenha ido até lá se guardar para quando o carnaval chegar. Os 50º graus da cidade natal já não são mais ares tão quentes, tão novos. Trocou-os facilmente pelos poucos Celsius daquele lugar. Quis mudar o cenário, inverter as expectativas, colorir com novas cores. Foi a Londres passar uma semana.

Em seu caso particular, além das árvores secas, da neve espessa e do glorioso relógio em cima de uma torre, a cidade também guarda outros segredos; um amor adolescente de lembranças rasgadas pelo tempo.

E dessa vez, o aparente eterno cinza do céu deu espaço a um sol estampado e escancarado que não esquentava, mas inspirava abraços e beijos que, sim!, esses esquentavam. E iluminava dois olhos muito azuis que agora ela reconhecia – com um pouco mais de rugas, um pouco mais de marcas. Que aqueciam embaixo de cobertores, em cima do sofá, no máximo clichê - em bancos do metrô da cidade, no mínimo da lucidez - após uma madrugada, num jantar regado a vinho e gargalhadas sobre o passado.

Londres ficou com esse cheiro. E subiu a temperatura do seu coração, que nem o Verão exagerado de sua cidade conseguira. Agora, ela cá, com melhor entendimento sobre todas as coisas inexplicáveis, percebe bem que não há fins. Não há pontos finais, términos desesperados, um fim irreversível. Só há distâncias.

Um comentário:

Mariah disse...

Há distância sim, mas há lembranças e cumplicidades tb. Happy Birthday para os dois!!!! rsrsrsrs