sábado, 19 de dezembro de 2009

Contabilidade de final de ano

Terminei um grande amor e ganhei vinte pequenininhos.
Grande mesmo, desses tipos, meio cor-de-rosa, meio sincero, meio bolero. Grande de perder o fôlego, de encerrar noites e noites em juras de amor eterno e iniciar manhãs e manhãs na morbidez de mais um dia igual.
Terminei esse grande amor.
Larguei na igreja os padrinhos, arranquei o vestido, os filhos e o marido das imagens que os olhos fazem quando estão fechados. Preferi luzes vermelhas, madrugadas salgadas e saltos altíssimos.
Preferi vinte amores pequenininhos.
Pequenininhos desses tipos, mais sacanas do que amores. Pequenos de durar pouco, mas não acabar nunca, então vieram pessoas de três anos atrás e outras de cinco minutos ali. Pequenininhos e gostosinhos, sem compromisso, amor da areia de Ipanema, do carro estacionado, da viagem a Búzios e da viagem de conhaque. Amores deliciosos sem ligação no dia seguinte. No dia seguinte, nada.
Assim que estou. Isso foi o que restou.
2009 foi, no mínimo, interessante.
Virei mais gente, vi mais gente, perdi um grande amor e ganhei vinte pequenininhos.
E acho que o saldo ainda é positivo.

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