A morte é como um tapa na cara, um soco no estômago.
Vem sem avisar e estala a porrada sem dó, deixando dor e ódio.
No meio da embriaguez que fica o espírito, nos reduzimos ainda mais e tentamos confortar uns aos outros: foi melhor assim.
Quando é que um soco no estômago é ‘melhor assim’?
Não é, mas a gente acredita para poder continuar acordando.
Afinal, é esse o nosso papel enquanto o próprio soco não acontece: acordar.
Se desprender de tudo isso durante a noite é fácil. Se entregar aos sonhos, esquecer o peso da gravidade, o cheiro da falta que faz, dormir, respirar. Simplesmente respirar.
Acordar é que é o tranco. Voltar ao que sobrou que, aliás, cada dia, é menos ainda.
Mas é isso. Enquanto vivos, é isso o que todo mundo espera de nós.
Acordemos melhores amanhã, então.
E engulamos a goles secos o silêncio do nada só para ver se sara: foi melhor assim.
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