domingo, 31 de maio de 2009

Tudo azul

O meio do céu, o fundo do mar. Um cartão postal de uma cidade distante, um pedaço de lençol azul esticadinho, em uma cama pronta para o corpo desabar. Uma parte da bandeira brasileira, um espelho, um Blue Martini.

Era assim o quadro mais bonito que já vi. Uma tela retangular, pintada de azul de ponta a ponta. Mais nada, só azul.

Foi num museu bonitão, desses de países frios e ricos, que a minha tela estava exposta. Do nome do autor, eu não me lembro. Mas aquele tom de azul eu não esqueço.

Lá havia muitos outros quadros. Um Picasso, um Chagal. Uma moça bonita penteando os cabelos, uma rainha esquisita. Todos lá, muito lindos e óbvios, deixavam pouco espaço para outras interpretações. O quadro do trem passando pela rua ao entardecer não era nada além de um trem passando na rua ao entardecer.
Mas o meu azul... o meu azul era nada. Um nada que podia ser tudo. Tudo o que eu, só eu, quisesse.

Uma almofada novinha, um pedaço do plástico do meu cartão de crédito, um casaco quentinho, uma tela de TV quando o DVD acaba e você não percebe, porque os braços dele ao seu redor não deixam.

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