segunda-feira, 6 de abril de 2009

Vale a pedra

Como pedras, giramos pelo vazio em alta velocidade.
Cada uma com seu próprio universo do lado de dentro. Com suas manias, suas comidas preferidas, suas lembranças tatuadas.
A intenção de todas essas pedras (todinhas, todinhas) é encontrar outra. Outra que traga mais segurança, mais força, mais companhia. Outra que nos tire dessa rotina insossa que é a vida de pedra sozinha. Outra que nos surpreenda com uma mensagem às 15:48 de segunda-feira. Ou que apareça na porta do trabalho com um lanche do Super Mate. Outra que assista seus documentários chatésimos com você, que ouça os seus CDs, que coma seu arroz e diga que está uma delícia.

Volta e meia essas pedras realmente se encontram. Com a incerteza de dar certo e com a vontade que, de fato, dê certo, vão em direção à colisão. - Essa é a hora em que se desejam. Se querem, se provam, se viciam. Uma pedra na outra.
A partir daí começam as expectativas. E nesse vazio, as expectativas são como perigosas armadilhas que podem acabar em enormes frustrações. Cria-se expectativa de todo gênero – ela deve ser tranqüila, ele deve ser bom de cama, ela deve ser romântica, ele deve ser fácil. Em geral, as expectativas morrem expectativas. E deve-se tomar todo cuidado para não chegarem as frustrações.

Porque quando as expectativas vão, chegam as frustrações. Porque temos medo. Preferimos nos afastar, nos resguardar. Coisa mais cafona.
Temos medo de nos colidir como pedras e gritar bem alto para o universo: foda-se.
Foda-se se ela não é como eu imaginei. Foda-se se ele não é o que eu pensei. Ninguém é.

Nessa hora, na hora da colisão, é que se deve ultrapassar o medo de se unir em uma só pedra.
Colidamo-nos. Entreguemo-nos. Liberemo-nos.
Sem medo de encontrar algo muito diferente do outro lado. A diferença é gostosa, é imprevisível.
Caso não dê certo, o máximo que acontece é juntar os caquinhos que sobram depois que a explosão acaba. E isso aí, um tubo de super-bonder, três semanas de choro e uma nova colisão resolvem rapidinho.

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