segunda-feira, 20 de abril de 2009

Infernastral

(07/04/2009)

Entupo meus ouvidos com música praticamente o tempo todo. O vazio e o silêncio me assustam e eu fujo. Sou viciada em fugir – do sol, da chuva, de mim.
Tempero meus dias com confusões das mais lúcidas e infantis. Pego a chave de casa para pagar o ônibus, o crachá para ligar o carro, os sapatos para escovar os dentes.
Se o tempo, pelo menos, passasse. Ou não. Se não passasse. Se algo fosse diferente nesses ciclos repetitivos que é tudo isso.
Tenho sentido meus pensamentos palpitarem por trás de pálpebras pesadas, tamanha é a sensação de insegurança.
E faz-se o que?
Mudam as terras, as regras, as regras gramaticais, transformam-se em radicais, impõem choques de ordem, fodem, fodem com a gente, com as noites quentes, com os bares em calçadas, lançam sapatadas, umas saem peladas, outras fazem bebês, veem BBB, a novela das oito, das nove e das dez.
Distrações que por vezes me carregam do tédio.
Possibilidades apenas remotas, como um controle remoto, um terremoto, um vendaval. Sem aval, tudo vai-se, esvai-se, e eu também.


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