domingo, 22 de março de 2009

A última cena

Tanto era o álcool já consumido que mal a noite acabava e a cabeça já doía – iniciando os sinais da ressaca que se sucederia. Talvez por efeito do álcool também estivéssemos ali, em areias muito vastas e brancas, cobertos apenas pela brisa que passava e aliviava o calor da noite. Nus; ela embaixo de mim. Sentia cada poro seu respirar meu suor, tão próximos estávamos. Naquela hora, ela era minha.

Por toda a experiência já adquirida, sabia que ela era minha somente naquele momento. - nos outros, não. É assim que as pessoas são quando iniciam uma relação. Metade minha, metade não. Aquela era a hora da minha metade.
O cheiro de tudo ainda não me sai da cabeça e, de tão intenso, chega a tornar minhas lembranças mais reais. Seu corpo, seu colorido muito único, seus olhos. Tudo se misturava a minha pele e éramos um só.

Ela me lambia, eu a apertava forte, vinha o cheiro, o gozo, as gotas de suor que pingavam da minha testa em seu rosto, salgando ainda mais o teor marítimo daquela praia. Parei para imaginar o que significaria tudo aquilo. Talvez apenas uma noite de verão. Talvez um início, talvez um final. Não dava para saber. Nem a lua diria.

Como ondas, balançávamos para cima, para dentro, para perto. Eu não queria que acabasse. Não entendia o que se passava, mas estava apaixonado. Acabara de saber, senti a paixão em mim e despontada com força para ela.

Pedi a ela para fechar os olhos e algo saiu de mim, sem controle:

- Vou me jogar.

Ficamos em silêncio. Nos recuperamos ainda calados. Uma saia, abotoo a calça, limpo o celular. Pedi seu telefone, ela me deu. Não liguei.
Não quero estragar tudo outra vez.

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