Por fora é simples. Como em todo mundo, há um nariz, dois olhos, algumas marcas feitas pelo tempo. Um eventual cordão, brincos, batom. Nada demais.
Por dentro não. De certo há, como em todo mundo, o almoço em digestão, uma cerveja de happy hour, sangue e coração. Mas há também uma vontade muito minha de engolir o mundo em uma só mordida – sem mastigar, sem esperar. Há ideias desesperadas, sonhos desencontrados, desejos disfarçados. Em muitas cores, há um quadro de Matisse na memória: a moça que voa enquanto beija seu amor.
Há um frio que sobe do estômago e para na garganta. Uma tempestade, pequenos segredos ilícitos correndo pelas veias a 300 quilômetros por hora.
Dentro também tem vazios, ecos, e cantos sombrios. Há uma música triste, a memória de uma briga napoleônica e o medo do escuro que eu não deixo ninguém saber.
Há serpentinas, purpurinas, bailarinas. Que dançam em ondas que acontecem só por dentro. Há números soltos, palavras preferidas, um gosto que não esqueci. E lá no meio, há uma fechadura louca para ser aberta. Para ela, há a chave - que se perdeu para ninguém mais conseguir encontrar.
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