A vida que eu escolhi para mim tem mais noite do que dia. Tem eu dançando com cabelos suados numa pista escura. Sozinha.
Não tem mais sorriso de sono, sorriso de fome, sorriso de ver filme abraçado, sorriso de briga. Ao invés deles, há um sorriso só. Muito vazio e barato, esse sorriso se mistura em dezenas de outros, que se espalham, descaradamente, pela cidade. Todos iguais - fúteis, com gloss lubrificando suas molduras - nem sei mais qual é o meu.
A vida que eu escolhi para mim tem mais álcool, menos lembranças, mais incertezas. Nessa vida, não tem mais voz sussurrando no ouvido. Tem, sim, um MP3 companheiro, que berra The Killers ao cérebro – ‘can you read my mind?’. Tem também beijos. Muito molhados e pouco sedutores, duram a infinidade de cinco minutos. Depois acabam. Não tem mensagem de celular, não tem ligações de cuidado, de amor, de saudade, de tesão. Tem a ligação do dia seguinte. Ou não.
Agora, nessa vida que eu escolhi para mim, tem mais gente e menos companhia. Mais alegria e menos felicidade. Mais eu e menos ele. Nessa vida não tem mais segurança, confiança. Tem somente as direções enlouquecidas que tomo sem ter tempo de respirar.
Não tem mais copo com gelo, não tem mais sofá azul, não tem mais amendoins, não tem ‘sim, aceito’ no fim do tapete vermelho.
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