Quando ele vai embora eu sempre sei que ele vai voltar. E eu sempre acerto. Ele nunca fala nada, mas parece que na noite anterior à sua chegada, ele vem aos meus ouvidos e sussurra: estou vindo.
E quando ele chega, ah, quando ele chega... Me abraça com braços calorosos que me deixam sem ar e me fazem suar. A temperatura sobe e os dias ficam menos, bem menos escuros. É como mágica.
Tudo ganha uma cor diferente e as árvores dançam numa coreografia que mistura calor e gotas quentes do céu, que descem carregadas de felicidade. A cidade fica em câmera lenta, ao mesmo tempo em que tudo parece acontecer ao mesmo tempo.
Que delícia é quando ele vem! Com seu sopro fervente e denso, me encharca e me faz perder o tempo. E o que é o tempo, quando ele está aqui? Um mero inimigo com a injusta função de contar as horas para ele ir embora.
Porque esta é a parte ruim. Ele sempre vem, assim como sempre vai. Vai devagar, tentando não me deixar sentir, mas o frio toma o lugar e as águas de Março são duras demais.
E quando ele vai, que tristeza... o preto e o branco tomam conta do cenário e só deixam cor para o amarelo das folhas que ressecam.
Só que agora não é hora de pensar nisso. Na partida, deixo para pensar daqui a três meses. Por enquanto é só calor, suor e cor. Porque ele acabou de chegar. Que bom. Acelerando o coração, despertando paixão, lotando o calçadão. Seja muito bem-vindo, Sr. Verão.
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