sexta-feira, 2 de novembro de 2007

No - one

Tenho facilidade em fugir do anonimato. Aquela solitária sensação que estala na minha cara me dizendo toda a verdade: você não é ninguém. Porque realmente não sou. Ninguenzinho.
Fujo desse sentimento inventando histórias absurdas nas quais ninguém acredita. Ou seja, eu. Não é só nessas situações que me pego rascunhando pseudo-explicações para o que incomoda. Tenho esta mania ligeiramente neurótica. E com o anonimato, não é diferente.
Se há uma seqüência de carros prateados na porta da minha casa, logo penso que alguém decorou a rua assim só para eu ver. O verão também chega só para mim e o suco de abacaxi com hortelã foi inventado no dia em que eu nasci, porque sabiam que eu ia gostar.
Neura ou não, é melhor do que encarar a solitária realidade de ser ninguém. Bordo tudo com mentirinhas que vão enfeitando e me deixando bem mais confortável.
E aí eu falo sozinha como em um seriado de TV, canto discos me fingindo ser a artista, acho que no fundo, no fundo, o motorista do ônibus me conhece, assim como Bill Gates e o presidente da república e ainda acredito que se ele me oferece uma carona na saída da boate, é porque ele sabia que era eu e não ia desperdiçar essa chance.

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