Oi, sou eu. Eu sei que eu não deveria estar te ligando, mas quando eu vi já tinha apertado o botão de SEND. Tinha me preparado rapidamente para falar com você, mas você não atendeu. Tenho quase certeza que não atendeu de propósito, e agora deve estar com o celular na mão, sentada, imaginando por que é que eu te liguei. Ou não. Ou de repente não tenha atendido porque está no banho. E eu sei que você toma banho com o rádio ligado e nunca ouve o celular. Não importa.
O que importa é que agora eu estou ligeiramente histérico, falando sem parar com uma maquininha irritante, que não me responde. Eu falo, falo e no fundo continuo a ouvir tudo aquilo que ninguém quer ouvir: o nada.
Sei lá, sabe? Acho que estou arrependido de ter ligado. E o que eu posso fazer? Caixa postal do celular dos outros é igual à vida da gente; a gente vai falando, vai fazendo e não dá para voltar atrás e apagar. Está feito.
Mas da sua própria caixa postal você pode cuidar. Porém, talvez (Deus queira), você não tenha créditos no seu celular para acessá-la e ouvir a tudo isso que eu digo. Talvez não. Talvez tenha créditos, mas não acesse porque não quer saber das minhas loucuras. Ou talvez acesse, ouça e me ligue de volta. Mas por isso eu não espero. O mais provável (para minha pouca sorte) é que você ouça a tudo isso que eu digo, logo assim que eu acabar de dizer. E que depois apague essas palavras do seu telefone e da sua cabeça. Você está certa. Sempre esteve.
Pronto! Lembrei para quê eu realmente liguei. Para dizer que você está certa. E eu errado. Irritantemente errado.
Bom, é isso. Desculpa... obrigado, de nada, dá licença, por favor, perdão, que inferno... Não são essas palavras que eu tenho que dizer agora. Eu tenho que dizer uma outra, que trava na minha garganta toda vez. Mas aqui vai.
Tchau.
Nenhum comentário:
Postar um comentário