segunda-feira, 21 de maio de 2007

Dele

Falar um pouco de mim? O que posso dizer? Tudo bem, eu estudo, trabalho e faço musculação quatro vezes por semana. Eu bebo para caralho e fumo dez cigarros por semana – eu costumava fumar setenta, mas fui diminuindo aos poucos e agora fumo dez. Costumo fazer sexo toda sexta e sábado e eu gosto de variar. A mesma pessoa muito tempo me enjoa. Antes de transar, eu gosto de tomar uma dose de cachaça. Me desinibe, me excita, eu acho chique, sabe? Acho charmoso para cacete. Uma dose de cachaça com olhos fechados.
De maconha eu não gosto, não. Quando eu era moleque fumava, mas essa porra dá uma fome que não acaba. Meu negócio agora são os comprimidos. Eu posso falar disso aqui, não é, doutora? Você não vai ligar para a polícia e nem me entregar para a minha mãe, né? Eu já ouvi nego dizer que os psicólogos são parceiros e não contam nada para ninguém, mas não custa perguntar.
Namorada? Namorada eu não tenho, não. Mulher é chato para caralho. Pô doutora, leva a mal não, hein! Desculpa aí, mas é que porra, meu irmão! Mulher é muito chato. Além disso, eu não quero me casar, para que vou namorar? Casamento é coisa de viado. Essa história de comer a mesma mulher o resto da vida é coisa de boiola. An? Meus pais? São casados, sim. Mas a minha mãe é diferente, né doutora? Minha mãe é que é mulher. Se encontrasse outra dela eu casava, porra. Mas não tem, então não vou casar.
Eu já namorei. Namorei a filha da puta da Fabiana. Precisava ver ela, doutora. Linda. E uma piranha. Fiquei mal por causa dela, mas isso eu não contei para ninguém. Ninguém tem que saber, porra. A Fabiana pegou o Marcinho e eu fiquei arrasado. Peguei a Analu na cara dela. Quem? A Analu? A Analu é a melhor amiga da Fabiana, doutora. Uma vagabunda, amiga da Fabiana. A Fabiana é uma piranha. Não arrebentei a cara dela porque eu não bato em mulher. Em mulher eu não bato, porra. Quando ela me viu pegando a Analu começou a chorar. Chegou bem perto de mim e me chamou de escroto, geral ouviu. Eu adorei. Eu adorei ser um escroto com a Fabiana, ela merecia. Mulher é um bicho burro. Eu ia dar de tudo para ela, doutora. Eu juro. Mas aí ela fodeu tudo pegando o Marcinho. Mulher é um bicho burro e chato.
Depois a Fabiana espalhou pelo bairro que eu tenho o pau pequeno. Fiquei mal, né doutora? A senhora já deve ter tido homem do pau pequeno, sabe que mulher não gosta. A Fabiana não vale nada. Mas o meu pau, doutora, o meu pau não é pequeno. Não é grande também, não. Mas pequeno não é. Ela fez isso de raiva. Espalhou para geral.
Agora na hora de transar com outras mulheres eu penso nela. E a senhora sabe como é, né doutora? Eu penso nela e não funciono. Eu fico com a mulher na cama, tudo certo e me vem a filha da puta da Fabiana na cabeça, com aquela boca linda, me chamando de escroto na frente da galera. Aí eu me lembro do cheiro dela, do cabelo e da mão daquela vaca. E não funciono mais.
Eu acho que a Fabiana me chamou de escroto, espalhou que meu pau é pequeno e fez também uma macumba para eu não comer mais ninguém. Porque ela á apaixonada por mim, até o Marcinho falou. Deve estar sofrendo, bem feito. Piranha a Fabiana. Fez macumba para eu brochar.

Por isso eu vim aqui, doutora. Preciso de uma receita sua para levar na farmácia e me curar dessa porra de macumba. Pode ser qualquer um daqueles remédios, o que a senhora achar melhor. Eu quero é ficar bom. A doutora pode fazer uma prescrição para mim, por favor?



RECEITA MÉDICA:

Terapia intensiva 5 vezes por semana.

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