quarta-feira, 16 de maio de 2007

Acho que ando meio crítica

Classe alta, classe média, classe baixa.
Nomes interessantes que nos levam a pensar em renda alta, renda média e renda baixa.
Nem sempre, porém, é assim que acontece.

Alta renda, alto poder de aquisição, alto grau de intelectualidade, alto padrão de vida.
Média renda, alto poder de aquisição graças às maravilhas do cartão de crédito, altos apartamentos, mais importantes do que a boa educação das crianças, alto descontentamento em ter tudo isso e ser chamada de média. Quase merda.

Inventa-se então a classe média alta.
Para a indiferença dos que são da alta e o não entendimento da baixa, que fica ainda mais baixa, anã.

Haveria mesmo de se colocar esse “alta” depois do “média”. Afinal, não existe ninguém mais preocupado em ser classe alta do que a classe média; Finge-se de tal, ignorando o alto índice de desemprego, os altos impostos e os altos juros que enfrenta. Mais importante do que esses altos são os automóveis, o alto Leblon, o salto alto. Assim, não luta por seus direitos, porque isso é coisa de classe média-pura. A classe média-alta não liga para o Procon, não reclama dos preços, não vota no Lula.
A classe média alta é loira e abastece com gasolina aditivada, faz exercícios na Lagoa e compras em Ipanema.

E enquanto se maquia de alta, deixa de tentar por reais mudanças nas condições do país. Assim, a classe alta de verdade continua tranqüila. Cada vez mais alta.
A baixa, no mesmo processo, cada vez mais baixa.
E a média também, cada vez mais merda.

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