Noite enfeitada com lua aparafusada no céu do Rio de Janeiro. Enfeitada também por menininhas devidamente caracterizadas: florzinha no cabelo, sandálias vermelhas, saias rodadas.
O calor que fazia era úmido por conta de todas as gotas de suor que temperavam a madrugada e das cervejas satisfatoriamente consumidas durante os atos.
É engraçado ver este cenário de fora. Quantas vezes fui também personagem - desses que não resistem a um espelho retrovisor de carros a cada esquina para reparar a maquiagem. Agora que minhas preocupações não estão tão voltadas para o movimento frenético da cidade, percebo os disfarces e artifícios daqueles que seduzem e querem se deixar seduzir durante os espetáculos de sábado à noite.
É como uma dança em conjunto: eles olham, elas fingem não ver, eles bebem, elas derretem, eles vêm, elas vão, eles vêem, elas não. Um sorriso artificialmente solto voa equilibrado pelas letras do samba cantado e pára num olho atento e hipnotizado.
Quantos beijos foram roubados? Quantos foram negados? Quantos telefones dados? Quantos inventados? Quanta gente se conheceu? E quanta não se reconheceu?
Essas peças das noites enfeitadas na cidade são de fato interessantes. E como eu já fiz parte deste elenco! Hoje faço parte da platéia. Encontrei o meu par e desci do palco. Agora só observo e admiro a coreografia que os outros continuam a dançar.
Dança boa essa mas, sinceramente, eu prefiro a calma da platéia: uma cadeira para mim, outra para ele e um saquinho de pipocas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário