Então eu finalmente acho que virei adulta. Ingressei nessa vida louca de acordar-trabalhar-dormir que acontece tão rapidamente que quase esqueço de piscar, não dá tempo.
Não há, de fato, tempo nenhum para mim; não há tempo de ler, de estudar, de me esticar no sofá e assistir meu programa de televisão preferido, às 8, nas noites de quinta-feira.
Eu não tenho mais tempo de pensar no fim-de-semana que passou e, quando me dou conta, já estou no fim-de-semana seguinte. Meus amigos viraram colegas de trabalho que, com sorte, têm mais afinidades comigo do que o simples fato de trabalharmos na mesma sala. O café-da-manhã tem gosto de papel fresquinho saído da xerox. O vento do dia vem forte, gelado, batendo no meu rosto, vindo direto da quina esquerda da janela à minha frente, onde se instala o ar condicionado. Meus chinelos ganharam saltos e minha mochila agora é bolsa. É tanta coisa para tão pouco tempo que essa minha corrida atrás do ponteiro parece eterna.
Algumas vezes me informo, ouvindo um pedaço de um assunto sobre a política do Brasil que acontece no elevador e é interrompido quando chego ao meu andar. Ou então, com palavras deliciosas sobre História saídas da boca de alguém que, por acaso, sentou no banco atrás do meu no ônibus.
As gírias estão aos poucos sumindo e vão dando lugar à “Bom dia, com quem eu falo?”. O sono agora chega às 10 da noite e a disposição diminui à medida que a responsabilidade cresce, num paralelo que as deixa até com cara de opostas. Acho que é isso. Cheguei lá.
Agora não pára, não é? E agora?
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