terça-feira, 16 de março de 2010

O que eu não quero

Não.
Eu não quero ter que rever minha maneira de ser, que já foi revista tantas vezes, em função de tantas pessoas que não valeram tanto à pena. Eu não quero trabalhar para gente que não merece, me colocando à mercê de um negócio que não tem nada a ver comigo. Eu não quero ter que me curvar às perguntas mais hipócritas e responder o que esperam de mim: não, porra. Eu não sou pontual, não vou me casar, eu não sei o que será de mim daqui a cinco anos e sim, eu transei com mais gente do que você pensa.
Eu não quero perder meus amigos por conta do que a vida impõe: profissão, criação, coração. Eu não quero deixar de beber chope porque não estou agradando, eu não quero continuar comendo, quando sei que estou engordando, eu não quero ver o tempo passar e sentir que estou deixando.
Eu não quero esperar até que a morte me separe porque, antes dela, eu sei que há as minhas neuroses, os problemas dele, a chatice do dia-a-dia e um gato em toda esquina – o que faz com que a separação se torne muito, mas muito mais provável do que a morte. Eu não quero visitar meus avós por obrigação, não quero bombom de aniversário, nem bicho de pelúcia, nem porta-retrato. Se quiser estar comigo, seja mais do que isso.
Eu não quero acreditar que a vida é bela e me frustrar todas as vezes em que as luzes se apagarem. A luz se apaga e a gente tem que entender que daqui a pouco ela se acende de novo e a vida é assim.
Eu não quero receber críticas desonestas – eu não sou tão responsável, eu não sou tão auto-suficiente, mas eu posso ir bem mais além do que você imagina.
Eu não quero guardar os meus CDs por pena, eu não quero um véu só para fazer cena, ou só para ter fotografias, ou para minhas tias, ou por companhia. Sou desprovida de auto-piedade.
Eu não quero fazer tipo, nem o seu tipo, nem o de ninguém.
Eu vivo minha vida e posso não saber o que eu quero.
Mas do que eu não quero, eu sei muito bem. – devem ser os benefícios de fazer 26...

Um comentário:

Céu disse...

Caiu uma ficha ontem na minha insônia: A fase dos "vinteepoucos" acabou. Entramos nos "vinteemuitos". É bom, sabemos bem melhor o que não queremos!