terça-feira, 7 de julho de 2009

Fica um pouco mais

Quando a festa acabar, não vai restar ninguém.
Alguns brigadeiros amassados ficarão pelo chão, forçando faxineiras a esfregar com força suas vassouras.

A música para e todos irão embora. Sobrarão copos bebidos com marcas de bocas na superfície, guardanapos úmidos, banheiros usados, eventuais pertences que permanecerão esquecidos – um guarda-chuva, um papel com telefone, algumas memórias.
O ambiente, então, denuncia a alegria acontecida. Cinzeiros lotados, cheiro de comida, cadeiras mexidas, toalhas de mesa manchadas.
O fim é sempre assim; ficam os rastros do que foi bom. Ficam as pistas do que rolou. E a pista, a de dança, se estende deserta junto ao sol, que invade pelas janelas.

Eu seguro um copo de espumante que, coincidentemente, combina com meu vestido, flores e sapatos. Danço com ele, danço para ele, me embebedo, me requebro.
Entre um salgadinho e outro, minha boca recebe beijocas tão felizes. O salão está cheio e eu estou curtindo essa festa.
Então, antes que a alvorada aconteça, deixa eu te falar agora, assim, baixinho, só a gente. Aproxima seu ouvido, fica em silêncio e me ouve:

- Quando a luz se acender e o som cessar; quando o silêncio acontecer e todo mundo for descansar; quando a porta se abrir e o dia clarear, é o momento de prestar atenção. Porque se você não for embora, eu também não vou. Entendeu? Se você não for, eu não vou.

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