quarta-feira, 15 de abril de 2009

Reflexões de sala de aula

Ao fim do dia meus pés latejam.
As luzes loiras do meu cabelo, já há meses precisando de retoques, me incomodam como nunca.
A menina sentada na minha diagonal direita também tem luzes loiras por fazer, com raízes negras escancaradas, exatamente como as minhas. Mas as minhas... as minhas estão ainda mais feias.
À frente, há um professor; falando enlouquecidamente, ele deve achar que todos nós, sentados em reverência a ele, só temos as suas aulas para prestar atenção durante o dia todo.
É verdade que há professores diferentes. Que entendem por que estamos todos em cima de saltos altos, com roupas de linho abotoadas e expressões de cansados. - Não é à toa.
Mas há os professores que não entendem.
Como este que se movimenta cansativamente na minha frente, não entendem nosso cansaço e falam de coisas chatíssimas: o meio, o público, o produto.
Pego um gancho nessa viagem dele e embarco na minha própria.

Esse lance de produto me fez lembrar que preciso comprar aquele produtinho que tira esmalte. – o meu, vermelho, já está vergonhosamente descascado.
Lembro-me, então, que tenho que fazer uma listinha: devo comprar o produto-tira-esmalte, o produto-lava-cabelo, o produto-protege-do-sol e o produto-mata-saudade. Mas este não tem, né?

- Que pena.

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