Ao fim do dia meus pés latejam.
As luzes loiras do meu cabelo, já há meses precisando de retoques, me incomodam como nunca.
A menina sentada na minha diagonal direita também tem luzes loiras por fazer, com raízes negras escancaradas, exatamente como as minhas. Mas as minhas... as minhas estão ainda mais feias.
À frente, há um professor; falando enlouquecidamente, ele deve achar que todos nós, sentados em reverência a ele, só temos as suas aulas para prestar atenção durante o dia todo.
É verdade que há professores diferentes. Que entendem por que estamos todos em cima de saltos altos, com roupas de linho abotoadas e expressões de cansados. - Não é à toa.
Mas há os professores que não entendem.
Como este que se movimenta cansativamente na minha frente, não entendem nosso cansaço e falam de coisas chatíssimas: o meio, o público, o produto.
Pego um gancho nessa viagem dele e embarco na minha própria.
Esse lance de produto me fez lembrar que preciso comprar aquele produtinho que tira esmalte. – o meu, vermelho, já está vergonhosamente descascado.
Lembro-me, então, que tenho que fazer uma listinha: devo comprar o produto-tira-esmalte, o produto-lava-cabelo, o produto-protege-do-sol e o produto-mata-saudade. Mas este não tem, né?
- Que pena.
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