quinta-feira, 19 de março de 2009

Romance desses tantos

Enfim eles se reencontraram.
Sabiam que aconteceria desde que se viram pela última vez. Num ato arriscado e valente, apenas acreditaram. Não fizeram maiores esforços que fossem além de um e-mail aqui, outro acolá, esporadicamente. E muito cordialmente, também.

- Oi, quanto tempo. Espero que esteja bem.
- Tudo certo, se cuida.


Mas eles sabiam. Nunca falaram, sabiam por si sós.
Se encontraram em um café, em meio ao duro inverno norte-europeu. Se reconheceram. Se abraçaram.

- Um chope. Você quer?
- Quero.


Naquele momento, ela o sentiu novamente. Ele ainda bebia chope antes do meio-dia. Ela não bebia. Agora bebe. Porém, fora o chope, não mais sabia sobre ele. Será que ele ainda preferia a bicicleta ao carro? Ainda sabia uma marca de cigarro para cada letra do alfabeto? Ela não conhecia mais aquela pessoa que, com olhos muito azuis, sentava-se em frente.
Se ainda fumava, se bebia Bailey’s antes de dormir, se colecionava camisas de times de futebol, se baixava músicas ilegalmente da internet, se fodia sem camisinha, se tinha namorada, se ainda ouvia música eletrônica.

Ele, tampouco a conhecia. Mas gostava de vê-la de novo, com cabelos bagunçados pelo vento e bochechas vermelhas, como sempre. Se deliciava, ainda, em cada gesto, em cada palavra. Redescobria seu sotaque – do qual tanto gostava. Pensava se ela ainda acreditava em deus, se sabia cantar o hino do seu time, se comia 5 tortas de carne de porco de uma só vez, se ainda ficava bêbada e com sono.

Gastaram 1 hora sentados.
As outras 3 foram deitados; ela por cima, em cima, embaixo, debaixo, encaixo, ele, dentro, fora, toda hora, calado, sentado, de pé, com a mão, com dente, contente, carente, coerente, quente.

- Você é linda. Quando vai embora?

- Não vou mais.

...

Um comentário:

Anônimo disse...

Será que isso existe? O amor eterno.