sábado, 28 de março de 2009

“Não olhai o celular do próximo”

Ela tinha coragem, vaidade, vontade. Naquele momento, tinha o mundo nas mãos, cerveja nos córneos e ele nos olhos.
Embolavam-se como sempre faziam. E riam, ouviam, sentiam.

O calor da madrugada se diluía aos poucos, graças ao forte ventilador preso ao teto. Neste ar, além do vento, havia música.
Provocavam-se como sempre gostavam. E deitavam, cantavam, se provavam.

Até que ele foi além. Buscou pistas de paixão em suas mãos. Sabendo que não o devia fazer, apertou o botão dela - “Mensagem” e todas as suas possibilidades - enviadas, guardadas, Caixa de Entrada.
Calaram-se como sempre souberam. E não deram, não mais eram, só quiseram.

As letras lidas por ele não foram as esperadas. Ela quis explicar, ele não quis escutar. Levantou-se. Levantou-se no momento da madrugada em que tudo fica confuso, condensado, misturado. Trouxe ao quarto suas pistas de paixão em seu próprio botão. Ela que via agora. E tudo outra vez - enviadas, guardadas, Caixa de Entrada, só que as dele.
Ele fez assim porque sabia que o seu era pior. As letras dali eram afiadas e, bem miradas, acertaram-na a cara.
Detestaram-se como raras vezes. E desconfiaram, desesperaram, desandaram.

- ...

O barulho seco da porta que batia por trás dela foi a única quebra de silêncio que ocorreu. Pouco depois, os gritos dele, pela janela, contribuíram para a música do ambiente que agora era fim. Ela não olhou para trás, ele não foi à frente.
Chegou em casa e mais letras dele, agora menos perigosas, esperavam-na no computador. Leu, respondeu, se arrependeu.
Terminavam-se como sempre acontece.

E ela ficou, surpreendentemente, triste.

4 comentários:

Line disse...

que soooooooooorte!

Dani disse...

Se você for você, então acho que te achei.

Em um domingo desses, eu senti uma dor tão forte no coração que corri no cardiologista de plantão e ele disse em alto e bom som que eu tinha uma coisa chamada bloqueio no ramo direito do coração. Durante a semana, a semana que precedeu essa minha semana deliciosa, eu pensei em mil coisas que poderiam me acontecer caso meu problema, literal, de coração, fosse mais grave. Em janeiro, fiz outra consulta e o médico me disse que esse bloqueio, “não chega a ser assim, um bloqueio, sabe?! É coisa de SP, stress”. Ufa. Não sou uma pessoa que carrega problemas como se fosse uma bolsa Prada original, um troféu, logo meu bloqueio ia ficar logo de escanteio, se não fosse o fato de que ele mesmo nem existe. Meu coração é saudável, mas preciso fazer exercícios, regularmente. Para o coração eu tenho afastado as pessoas carregadas e me aproximado de pessoas, assim como eu, desbloqueadas. Aí entra a parte dessa história que eu mais gosto: eu ganhei um coração novo, zerado, novinho em folha, limpo e pronto para bombear saúde. Meu novo coração veio numa manhã de Carnaval, com o céu muito azul e um recado de quão saudável somos nós. Estou pronta, pode começar.

Brrrruna disse...

Então o coração desbloqueou.
Talvez nunca tenha mesmo se bloqueado. A cabeça, as fugas, as fraquezas fazem o coração se sentir bloqueado. E na verdade, ele está lá, numa boa, pronto para se encher de saúde e amor.
Pronto para se encher de saúde e amor, principalmente, de pessoas que estão prontas para dar saúde e amor.

Se você for você, então acho que te achei.

Dani disse...

de antes. pra hoje

Porque te sentir tão frágil e distante me dói tanto quanto ou até mais do que se a dor fosse só minha.É que cada dia me sinto mais fraca por não poder te colocar no meu colo de verdade e dizer que meu amor é maior que qualquer laço de sangue que possa aparecer. Porque sei como poucos o quanto você é grande por esconder suas sutilezas e tristezas e só mostrar pra quem pode e deve. Porque me sinto importante e coerente quando você me faz perceber que também precisa um pouquinho de mim como sempre precisei de você (VOCÊS). E não esqueça nunca, nunca, mas nunquinha mesmo que eu estarei sempre aí, mesmo quando estou aqui.

Ah! manda um beijo pra Renata. E diga que sinto saudades. Muitas! Com gosto de chuva. E cheiro de inspiração.