terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Bugigangas

Guardo para ter o que contar.
Para ter do que falar, como lembrar.
Guardo para ter também o cheiro do que já passou.
E para não assumir que passou:
Eternizando milhares de coisas em minhas gavetas.
Guardadas.

Guardo para esconder a insegurança do nada.
E ejaculo nele prazeres de objetos que já existiram.
Guardo para me defender da iminência de não ter.
E poder provar a mim mesma que sim, já tive.
E guardei.

Guardo para justificar as caixas bonitas no meu armário.
Não guardasse, estariam todas vazias e sem por quê.
Guardo para ser como todas as outras meninas:
Os ingressos do cinema, o papel do estacionamento, o bilhete no guardanapo.
Dobrados e guardados.

Guardo para auto-arfirmar minha existência.
E deixar lembranças para a eternidade.
Ou apenas para os meus netos, que se entreterão com papéis amarelados e fedorentos.
Guardo para ter a chance de poder jogar fora um dia.
E me sentir aliviada.

Guardo mesmo para deixar cordas.
Caso um dia esteja caindo, terei onde me segurar.

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