quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Balões

As noites no Rio de Janeiro são insuportáveis. É claro que não costumo falar isso assim, abertamente. Gente da galera, como eu, tem que gostar de noitada. Nem liga para o calor claustrofóbico que se combina à falta de educação inerente ao carioca, à pouca segurança que dá um charme à cidade e à tentativa de ter a paciência necessária para agüentar tanta gente chata. Começando pelos flanelinhas – só dez Reais, madame. Fico aqui a noite toda! – e terminando com os incansáveis papinhos de igualáveis menininhos vestidos de homens. Haja saco!
Todos os integrantes deste cenário carregam consigo uma coisa em comum – além da Skol long neck e das pulseiras prateadas: uma puta solidão. Vamos todos encarar o escuro, que é levemente quebrado por eventuais luzes coloridas, e tentar sentir menos todo o desespero que nos ocupa durante o resto do tempo.

É claro que ninguém consegue fazer isso facilmente. É preciso muito álcool para chegar lá. Há que se separar da própria consciência, senão é impossível. Todos sabemos disso, ora! E, obedientemente, enchemos a cara até seis da manhã – para a felicidade e o sustento dos isopores alheios.
Às altas horas da madrugada, não restam mais consciências pelas ruas. Estão todas longe, presas em balões de gás que voam lá no alto, bem distante das cabeças. E que maravilha é essa sensação! Os balões ficam no céu, amarrados em nossos pulsos por frágeis barbantinhos, que garantem a volta deles para o dia seguinte.

E o dia seguinte... voltam os balões como flechas para dentro de cada cabeça. Provocando uma imensa dor e um mal-estar muito conhecido como ressaca. Aumentando a merda da solidão e nos iludindo de que a dor foi do álcool consumido e não dos balõezinhos despencando.

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