Tem gente que conseguiu de graça. Outras pessoas pegaram emprestado do amigo. Do amigo do amigo, em alguns casos. O fato é que ninguém ficou de fora; o país inteiro já assistiu. Eu comprei o meu por cinco Reais, em Copacabana. Tropa de Elite é um filme que fala das picaretagens absurdas e rotineiras daqui do Rio e, ironicamente, por um golpe dessa mesma picaretagem, o filme vazou para a população antes mesmo de estrear no cinema. Picaretagem por picaretagem, nada se salva.
Mas disso todo mundo já sabe. Como falei todo mundo já viu. Acho que minha mãe é a única pessoa que eu conheço que ainda não se rendeu às delícias da pirataria e não assistiu ao filme. E já estão tentando pegar o culpado, inventar um novo final, acrescentar cenas à edição. Tudo para garantir os milhões que o cinema traria em bilheteria, caso não houvesse o vazamento.
Quando eu assisti, fiquei tão entretida que esqueci o mundo aqui de fora. Mesmo nas cenas em que fechei os olhos – muito sangue, muito tiro e meninas-zona-sul são absolutamente contra qualquer tipo de violência - eu não me desliguei da história. E durante aqueles minutos encarando toda aquela verdade, senti umas coisas esquisitas. Fiquei com nojo da PM, planejei matar todos os estudantes classe-média-burguesinhos, pensei ir a Brasília protestar, em jogar uma bomba nas favelas, até em virar comunista. Mas o que eu fiquei mesmo foi com a maior vontade de fazer parte do BOPE...
Esquisito, né? Talvez eu tenha sentido essa vontade por pura sedução, vinda do Wagner Moura - que está um chuchu no filme (diga-se de passagem). Ou não, talvez toda aquela masculinidade do BOPE tenha despertado um lado bruto e viril dentro de mim, mas o mais provável mesmo, é que eu tenha querido ser do BOPE porque naquele contexto, apesar da injustiça, da violência, do animalismo e das picaretagens (claro!), é esta a instituição mais correta do filme. É a instituição que vai lá na cara branca de barba estrategicamente mal-feita dos estudantezinhos de faculdade particular e estala tapas bem dados.
Fiquei me imaginando no BOPE. De farda preta, cara de mal. Mas logo depois essa vontade passou. Começou a passar quando vi no filme o treinamento de admissão desse batalhão. Roupas feias, falta de banho e linguagem chula. Tô fora...
Mas minha vontade passou mesmo quando pensei em todas as pessoas que teria que prender. Mais da metade dos meus amigos, alguns professores, o Posto 9 todo de Ipanema, alguns pais de amigos, os organizadores das festas da cidade, alguns primos, enfim. Maior galera gente boa... fala sério. E pô, todo mundo viu o filme, tá todo mundo conscientizado, tenho certeza.
E assim que aquela vontade esquisita foi embora. E o filme acabou. Aí eu desliguei o DVD, a TV e levantei do meu sofá, me sentindo um pouco pesada e tonta... Deve ter sido a salada que comi no almoço. Picaretagem por picaretagem, mais fácil pensar assim.
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