Eu hoje vi uma estrela cadente.
Às seis e trinta e quatro da tarde, nos céus de Copacabana.
Ok. Talvez não fosse uma estrela cadente.
Mais provável que fosse um avião, uma bala perdida, a tocha do Pan, uma ponta de cigarro acesa caindo de uma janela qualquer. A atmosfera do Rio é embaçada demais para estrelas cadentes. Estrelas cadentes gostam de céu fresquinho, vento leve, campos e campos de nuvens branquinhas. Foi-se o tempo em que o céu dessa cidade era assim. Agora não há mais quase estrelas, quem dirá cadentes.
Mas parecia ser uma de verdade, eu juro.
Ok. Talvez toda essa certeza seja, na verdade, a minha vontade de flagrar um desses riscos mágicos lá de cima só para ganhar o direito a um pedido aqui embaixo.
Para falar com sinceridade, eu nem sei ao certo como estrelas cadentes são. As poucas vezes que vi foram tão rápidas, mas tão rápidas, que sempre me perguntei em seguida se eram mesmo esses tais pontinhos ligeiros em movimento. Se não era balão, avião, ilusão.
Na dúvida, sempre optei pela estrela e hoje não foi diferente. Eu vi uma estrela cadente e pronto.
E virei o pescoço para trás até não dar mais. Por um momento perdi o rumo, as preocupações, os pés no chão. Meus olhos foram fisgados por aquele rastro brilhantíssimo que passava por cima de todas as cabeças. Quando voltei, caí na doce e macia realidade do direito a um pedido. Eu tinha direito a um pedido agora. Tantos são os meus pedidos, que fui pensando no que pedir durante o longo percurso do meu ônibus até em casa. Será que pedido de estrela cadente pode ser feito duas horas depois de avistá-la? Tomara que sim.
Eu preciso de um carro. Eu também preciso perder três quilos e preciso de uma máquina fotográfica nova. No trabalho eu tô legal, mas queria que acabasse logo o mês de Julho. Eu preciso viajar, eu preciso juntar dinheiro, eu preciso de paz no Mundo. E dentre tantas opções, foi num sinal vermelho do Humaitá que eu me decidi. E pedi para a minha estrelinha cadente (que talvez seja uma torre de sinal telefônico da Vivo) o que eu mais preciso agora. Eu preciso de colo.
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