Uma bolinha de papel voando na minha frente é pouca coisa. É um papel colocando em evidência as leis de muitos sabidos da Física. Um papel amassado: resultado de uma rejeição. Alguém não o quis mais e então ele vaga. Vaga sem deixar que o vejam por dentro. Vaga sem direção, confiando naqueles que um dia definiram as leis que regem agora seus movimentos. Alguém um dia o quis, o usou, depositou nele alguns sentimentos e emoções em forma de letrinhas, afim de que um outro alguém as visse, provavelmente. - Porque escrever é um dos métodos de fazer emoções ganharem cores e formas para serem vistas. O papel amassado voa na minha frente me dizendo que tem um monte de coisas ali dentro, mas que eu não posso ver, porque alguém o preencheu e desistiu no momento seguinte. Só o papel sabe o que está nele. Por pouco tempo. Logo, logo não será mais papel amassado com letrinhas escondidas. Se esquecerá – memória de papel é curta e apagável graças a invenções moderníssimas chamadas borracha e liquid-paper. Se esquecerá de seu papel de carregador de sentimentos que foram rejeitados numa tentativa de serem esquecidos. – Porque não existem invenções moderníssimas para memória de gente. Então, para apagá-la, amassa-se papéis escritos. E os esquece.
O papel esquecido assumirá então papel de lixo. Lixo jogado fora. Que vaga. Sem opção. Sem tamanho. Amassadinho. Reprimido. Deve doer.
Uma bolinha de papel voando na minha frente é mesmo pouca coisa. É menos que pouca coisa. É quase nada, nada!!!
- Merda. Eu devia ter mirado a lata de lixo melhor.
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